Bilionário indiano se oferece para acolher os 80 ‘hipopótamos da cocaína’ de Pablo Escobar
Ambani argumentou que os hipopótamos não escolheram onde nascer e oferece um ambiente seguro e apropriado para eles
Internacional|Anabella González e Fernando Ramos, da CNN Internacional
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O bilionário indiano Anant Ambani, filho do magnata Mukesh Ambani, propôs receber em seu centro de conservação de vida selvagem na Índia os 80 “hipopótamos da cocaína” que o governo da Colômbia autorizou abater para, segundo anunciado, preservar o ecossistema do país.
Trata-se dos famosos exemplares de uma espécie que chegou ao país na década de 1980, introduzida pelo falecido Pablo Escobar, um dos maiores chefes do narcotráfico na Colômbia, que buscava ter um dos maiores zoológicos privados da América Latina com uma grande variedade de animais.
Desde então, a população de hipopótamos africanos na bacia do rio Magdalena, que chega a cerca de 160 exemplares, não parou de crescer, a ponto de colocar em risco espécies nativas e a biodiversidade do país, que semanas atrás anunciou que avançaria no abate de 80 desses animais, uma medida que gera debates há tempos.
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Ambani pediu ao governo da Colômbia que reconsidere a decisão sobre os hipopótamos e propôs recebê-los em seu centro de resgate.
“Estes oitenta hipopótamos não escolheram onde nascer, nem criaram as circunstâncias que agora enfrentam”, disse em uma publicação nas redes sociais. Estes animais “são seres vivos e sencientes, e se temos a capacidade de salvá-los por meio de uma solução segura e humana, temos a responsabilidade de tentar”.
Na cidade de Jamnagar, no estado de Gujarat, Ambani fundou o centro de conservação Vantara, que reúne mais de 150.000 animais de mais de 2.000 espécies de fauna silvestre, segundo seu site oficial.
É para lá que ele propõe realocar 80 dos hipopótamos colombianos, que hoje vivem nos arredores da chamada Fazenda Nápoles, uma propriedade rural localizada em Puerto Triunfo, departamento de Antioquia, que pertenceu a Escobar e atualmente é destinada a atividades turísticas.
“Estamos dispostos a receber e cuidar desses hipopótamos em um ambiente especialmente projetado e enriquecido, concebido para garantir seu bem-estar e, ao mesmo tempo, refletir as características fundamentais de seu habitat atual”, diz um comunicado publicado na segunda-feira (27) que leva a assinatura do diretor executivo da Vantara, Vivaan Karani, em representação a Ambani.
No texto, dirigido à ministra do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Colômbia, Irene Vélez Torres, os executivos da Vantara fazem um apelo para “apelar respeitosamente” à decisão do governo colombiano e suspender a morte dos animais, uma medida que as autoridades autorizaram em 13 de abril passado.
CNN Internacional se contactou com as autoridades da Vantara para obter mais detalhes sobre a proposta.
Caso o governo da Colômbia esteja disposto a considerar a iniciativa, a implementação seria realizada “em estrita conformidade com as aprovações, permissões, processos de diligência prévia, requisitos de biossegurança e planejamento logístico necessários”, explicou Karani no comunicado, no qual oferece o cuidado “por toda a vida” aos animais sob o princípio de “não causar dano a nenhum ser vivo”.
CNN Internacional consultou o Ministério do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Colômbia e a ministra Vélez sobre o recebimento da proposta e sua viabilidade, e aguarda resposta.
As autoridades da Vantara disseram estar à “inteira disposição” para dialogar com o governo colombiano para analisar a iniciativa e manifestaram a intenção de se reunir com os funcionários do governo do presidente Gustavo Petro, a quem estenderam um convite para visitar as instalações do centro de resgate.
Ambani, fundador da Vantara e filho do presidente e diretor-geral da RIL (Reliance Industries Limited), considerada a maior corporação privada da Índia, diz ser um amante dos animais. “Nos animais vejo Deus e a Vantara é um templo”, afirma. Seu nome foi notícia internacional em 2024 ao se casar com Radhika Merchant, em um casamento precedido por luxuosas celebrações que se estenderam por meses.
A medida de autorizar o abate de 80 desses exemplares se deve ao crescimento descontrolado desta espécie invasora na bacia do rio Magdalena, disse a ministra Vélez ao comunicar a decisão.
“Sem essa ação, é impossível controlar a população e, como já vimos nas estimativas, isso implicaria que, até 2030, teríamos pelo menos 500 hipopótamos afetando nossos ecossistemas e nossas espécies nativas, como o peixe-boi e a tartaruga-de-rio. É com responsabilidade com o nosso ecossistema que temos que tomar essas ações”, disse a autoridade em conferência de imprensa no último dia 13 de abril.
Semanas atrás, o ministério do Meio Ambiente colombiano disse que explorava alternativas como a realocação de alguns dos animais em países como Equador, Peru, Filipinas, Índia, México, República Dominicana, África do Sul e Chile, mas que essas opções não prosperaram “devido a restrições internacionais e limitações operativas”.
A decisão, que responde a uma crise ecológica avaliada há anos por diferentes setores científicos e de defesa do meio ambiente, gerou questionamentos e debates tanto a favor quanto contra a medida, que tem opiniões divididas entre ambientalistas e protetores de animais.
Trata-se de um debate entre a proteção do ecossistema global e o direito à vida de animais individuais, muito presente durante os últimos anos na Colômbia.
“A ciência nos pede para agir. As ações são indispensáveis para evitar um desastre ecológico irreversível em nossos rios”, disse a ministra Vélez, que não deu detalhes de quando a medida poderia ser realizada.
O hipopótamo foi incluído na lista de espécies exóticas invasoras da Colômbia em março de 2022, o que permitiu depois ao governo projetar medidas para controlar a espécie, que vive entre 40 e 50 anos.
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