Campanha na Argentina deixa de lado temas prioritários para eleitores
Internacional|Do R7
Natalia Kidd. Buenos Aires, 22 out (EFE).- A apenas dois dias do encerramento de campanha para as eleições legislativas do próximo domingo na Argentina, os partidos foram incapazes de incluir na agenda os temas que realmente preocupam os eleitores, como a insegurança e a inflação. Este pleito será realizado em um momento no qual a Argentina passa por uma fase de crescimento moderado após a forte expansão de exercícios anteriores, com déficit energético, deterioração na frente fiscal e problemas na externos que repercutem na macroeconomia e no bolso dos cidadãos. Além disso, especialistas consultados pela Agência Efe acreditam que os eleitores esperam soluções para dois dos temas mais preocupantes para a sociedade argentina: a insegurança e a inflação. A maioria dos 30,5 milhões de argentinos convocados para irem às urnas no próximo domingo deverá decidir seu voto sem ter visto os candidatos confrontando suas ideias, pois, de fato, o único debate televisionado foi entre postulantes a senador e deputado da capital argentina. Nas ruas, é possível perceber esta frustração pela falta de discussão de propostas e soluções concretas. "A campanha é bastante vazia de conteúdos e de propostas. Há muito enfrentamento, mas o povo não conhece bem as propostas. A problemática social para mim está bastante ausente", lamentou hoje uma jovem da capital argentina. "As campanhas eleitorais são lastimáveis. Os problemas econômicos, a insegurança total, a saúde e a educação são piores a cada dia. Em vez de estar brigando para ver quem tem mais ou menos votos, eles deveriam ter se unido para realmente fazer algo para o país", criticou outro jovem portenho. O cenário não é muito diferente daquele da campanha para as primárias de agosto, quando a discussão de propostas foi completamente ausente. Nem sequer a cirurgia à qual a presidente, Cristina Kirchner, foi submetida no dia 8 de outubro por causa de hematoma craniano, conseguiu fazer com que a campanha perdesse seu tom anódino. "A oposição baixou o tom da campanha com uma estratégia muito realista: não atacar a presidente em absoluto, desejar melhoras e concentrar a crítica no vice-presidente (Amado Boudou), que é quem está exercendo o poder", disse à Efe o analista político Rosendo Fraga, do centro de estudos Nova Maioria. Mais uma vez, os partidos deixaram de fora de campanha um debate real sobre temas como a educação, o emprego informal e a pobreza, lamentou Jorge Arias, da empresa de consultoria PoliLat. Outro aspecto importante que não integra a agenda é o "cuidado do republicanismo", apontou Virgínia García Beaudoux, codiretora do Centro de Opinião Pública da Universidade de Belgrano. "Esta sensação que se teve de que o governo nacional tentou acabar com a independência da Justiça e com a liberdade econômica teve um impacto muito negativo no eleitorado", declarou à Efe García Beaudoux. Para o especialista, os dois assuntos prioritários para os cidadãos são a inflação e a insegurança, este último particularmente na província de Buenos Aires, o maior distrito eleitoral do país. "Uma das maiores questões na província de Buenos Aires é o tema da insegurança. É uma das grandes preocupações das pessoas. Outra é a inflação. O povo está pedindo que os dados oficiais reais da inflação sejam divulgados porque os atuais não condizem com a realidade", acrescentou. O economista Ramiro Castiñeira, da empresa de consultoria Econométrica, sustenta que o bolso influenciará na decisão do eleitorado apesar de que, na campanha, os candidatos "não mostraram suas cartas" sobre seus planos a respeito dos grandes assuntos econômicos, algo que é mais próprio das campanhas presidenciais. "O bolso sempre influencia. O povo não tem as soluções para os problemas, portanto, os recursos monetários dos que dispõem sempre são uma variável chave. Quando a economia vai bem, o governo costuma ganhar. E quando vai mal, costuma perder", disse à Efe o economista. No próximo domingo, os argentinos votarão entre listas em cada distrito para renovar a metade da Câmara dos Deputados (127 cadeiras) e um terço do Senado (24 cadeiras). EFE nk/apc-rsd (foto) (vídeo)











