Capriles impugna eleições; Governo garante que não há crise
Internacional|Do R7
José Luis Paniagua. Caracas, 2 mai (EFE).- O líder da oposição venezuelana, Henrique Capriles, impugnou nesta quinta-feira as eleições presidenciais de 14 de abril, em meio a uma crescente polarização que o Governo rejeita denominar "crise política", ao assegurar que na Venezuela há "plena estabilidade". Membros da equipe de campanha de Capriles apresentaram nesta quinta-feira ao Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) um recurso contra as eleições, pedindo a repetição completa do processo e contestando, além disso, a presença de dois magistrados na Sala Eleitoral. O advogado Gerardo Fernández, membro da equipe da oposição, explicou que se trata de um recurso contra todo o processo eleitoral, incluídos os atos prévios ao dia 14 de abril, as eleições e "os atos que ocorreram na Venezuela vinculados a esse processo" após o pleito. "O fundamento deste importante recurso é que em uma democracia se deve votar, mas, quando alguém vota, deve votar sem coação, sem violência e, sobretudo, deve votar-se respeitando-se os procedimentos e o estado de direito", afirmou. Capriles, que era o candidato da oposição nesse pleito, disse que a solução para a crise no país está nas mãos do TSJ e desejou que o "Espírito Santo ilumine" os magistrados da Sala Eleitoral. "Senhores magistrados, a solução do conflito político que há em nosso país está aí", indicou Capriles em entrevista coletiva que foi interrompida pela transmissão em rádio e televisão de um ato do presidente Nicolás Maduro. O líder da oposição afirmou que na Venezuela "há uma profunda crise política, terrível", e assinalou que decidiu impugnar as eleições em sua totalidade devido a todas as incidências encontradas, entre elas quase 200 mil falecidos registrados no censo eleitoral. "Isso não terminou, aqui ninguém pode se cansar nem jogar a toalha, nem venho eu a dizer a vocês que esse é um processo que de hoje para amanhã já estará solucionado", declarou. Capriles anunciou que fará uma visita a vários países, mas antecipou que só os especificará quando anunciar a viagem. Por outro lado, Maduro, que nesta quinta-feira liderou uma jornada de trabalho transmitida quase integralmente pela emissora estatal "VTV", assegurou que reconheceria uma eventual derrota mesmo que fosse por apenas um voto. "Ganhei por muito mais que um voto, foram quase 300 mil votos, mas se perdesse por um voto entregaria (o poder), mesmo com dor na alma", afirmou. O chanceler Elías Jaua também se pronunciou nesta quinta-feira, a fim de rebater as declarações do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, que manifestou sua preocupação com a falta de diálogo no país. "Na Venezuela, há plena estabilidade política, há o questionamento de um setor político que perdeu as eleições sobre os resultados desta", assinalou Jaua, garantindo que essa situação "não se traduziu em uma crise política". "No país há plena estabilidade social, política, há um Governo legítimo, há instituições democráticas legítimas", afirmou. Enquanto isso, tanto Maduro como Capriles asseguraram que, se as eleições fossem repetidas, venceriam com tranquilidade. "Se agora houvesse eleições, após o que vivemos nestes 15 dias, nós ganharíamos com 70% dos votos. Não tenho dúvida porque nosso povo reagiria frente ao fascismo, frente à direita intolerante, frente ao ódio", disse Maduro. Capriles deu o troco na mesma moeda. "Já que seriam 70% (dos votos), então vamos repetir as eleições. Maduro, aqui te desafio, vamos repetir as eleições com transparência", declarou. EFE jlp/pa (foto)







