Carruagem de 2.500 anos é achada em restos de cidade queimada antes de sumir
Peça é considerada única na Península Ibérica e chama a atenção pela riqueza dos detalhes
Internacional|Do R7
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Uma carruagem cerimonial de bronze com cerca de 2.500 anos foi descoberta por arqueólogos no sítio de Casas del Turuñuelo, em Guareña, na Espanha. Considerada uma peça única na Península Ibérica, a estrutura chama atenção pela riqueza dos detalhes, pelo estado de conservação e pela complexidade de sua fabricação.
O objeto foi encontrado durante escavações dentro do antigo complexo tartéssico. O local já havia revelado outras descobertas importantes, como um altar em formato de pele de touro, associado a práticas religiosas da época.
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Apesar de ter sido localizada parcialmente destruída, a carruagem preserva duas rodas e parte da estrutura principal, permitindo que os pesquisadores analisem sua construção. A peça foi produzida com diferentes elementos de bronze unidos por componentes de ferro, uma técnica considerada avançada para o período.
A decoração do veículo revela uma forte carga simbólica. Entre os elementos identificados pelos arqueólogos está uma representação de Aqueloo, uma divindade da tradição grega e etrusca. A peça também apresenta dois grifos — criaturas mitológicas com corpo de leão e cabeça de águia — além de figuras masculinas semelhantes a atlantes, responsáveis por sustentar a parte superior da carruagem.

Segundo os pesquisadores, não existe atualmente nenhum exemplar comparável encontrado na Península Ibérica. Embora algumas peças do mundo etrusco apresentem características semelhantes, a combinação de elementos artísticos e técnicas de produção torna a carruagem de Casas del Turuñuelo um achado sem paralelo conhecido.
O achado também ajuda a revelar detalhes sobre Tartesso, uma antiga civilização que ocupou parte do sudoeste da Península Ibérica. O próprio fim do complexo arqueológico ainda é cercado de mistérios: as construções de Turuñuelo foram destruídas, incendiadas e posteriormente seladas com argila pelos próprios habitantes no final do século 5º a.C., em um período de tensão marcado pela possível chegada de povos celtas vindos do norte.
Após a descoberta, o artefato passará por novos estudos para determinar com mais precisão sua função, origem e significado dentro da cultura.
Escavações revelam novos espaços do complexo
A descoberta faz parte da oitava campanha de escavações realizadas no sítio arqueológico. Os trabalhos se concentraram em diferentes setores do complexo, especialmente nas áreas próximas ao grande túmulo que cobre o edifício principal, fechado intencionalmente no final do século 5º a.C.
Além da carruagem, os pesquisadores encontraram novos ambientes e áreas de circulação que ajudam a compreender a arquitetura do local. Também foram recuperados objetos de bronze, como dois braseiros e um caldeirão, reforçando a importância do espaço para cerimônias e atividades rituais.
Para a equipe responsável pelo projeto, os achados ajudam a ampliar o conhecimento sobre Tartesso e suas conexões com outros povos do Mediterrâneo.
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