Onda de desinformação torna tragédia de terremoto ainda pior
Teorias conspiratórias e informações falsas confundem a população e prejudicam a resposta emergencial em regiões afetadas
Internacional|Do R7
LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA
Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Horas depois do terremoto de magnitude 7,4 na escala Richter que arrasou a Colômbia nesta segunda-feira (10) e deixou mais de 130 mortos, o Instituto de Hidrologia, Meteorologia e Estudos Ambientais (Ideam) se viu na obrigação de vir a público desmentir informações que se espalharam pelo WhatsApp.
Nas mensagens, falsamente atribuídas ao próprio Ideam, o órgão teria alertado sobre réplicas do terremoto que ocorreriam em horários determinados — o que nunca aconteceu, mas gerou pânico na população como se fosse verdade.
Esse é apenas o exemplo mais recente de como a desinformação que se espalha pelas redes sociais pode comprometer a recuperação de uma área atingida por tremor e tornar a tragédia ainda maior.
Algo parecido aconteceu no Japão, há poucas semanas, quando a província de Kumamoto foi atingida por um terremoto de magnitude superior a 6,8 em que dezenas de pessoas morreram, centenas ficaram feridas e milhares ficaram desabrigadas.
Ao mesmo tempo em que equipes de resgate trabalhavam noite e dia para salvar vidas e reconstruir a comunidade, uma onda de teorias conspiratórias e imagens falsas geradas por inteligência artificial começou a se espalhar pelas redes sociais. Algumas publicações até negavam a ocorrência do terremoto, apesar de todas as vítimas e da cobertura jornalística em tempo real.
Veja Também
Uma postagem que dizia que o terremoto tinha sido “artificialmente criado” por meio de uma explosão alcançou três milhões de visualizações em 24 horas e, de acordo com empresas de análise de tráfego online, menções ao termo “terremoto artificial” aumentaram de 10 mil para 38 mil de um dia para o outro.
De acordo com o Japan Fact-Check Centre, empresa sem fins lucrativos especializada em checagem de fatos, essas informações enganosas são difundidas tanto por pessoas que acreditam que elas sejam verdadeiras quanto por aquelas que sabem se tratar de mentiras.
De acordo com a empresa, esse tipo de comportamento é estimulado pelo sistema de recompensas das plataformas de mídias sociais, que permitem que usuários ganhem dinheiro com engajamento.
Para Reo Kimura, professor de psicologia de desastres na Universidade de Hyogo, ouvido pelo jornal The Guardian, esse tipo de situação estressante, capaz de gerar ansiedade, faz com que as pessoas procurem as explicações mais simples, que nem sempre são as corretas.
A propagação dessas teorias prejudica diretamente o combate a desastres naturais porque desvia a atenção, fazendo com que parte da população se perca em debates inúteis, em vez de focar em medidas de segurança e apoio às vítimas.
Além disso, as notícias falsas induzem ao questionamento de informações oficiais de autoridades e especialistas, que passam a ser questionadas, prejudicando a resposta emergencial em tempos de crise.
Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp












