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Chile quase vendeu Ilha de Páscoa para os nazistas

Negociações ocorreram em 1937, quando país sul-americano precisava de dinheiro para reforçar frota naval, conforme conta historiador em livro

Internacional|Eugenio Goussinsky, do R7, com agências

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Região tem estátuas em rochas vulcânicas
Região tem estátuas em rochas vulcânicas

Dois anos antes do início da Segunda Guerra Mundial, a crise financeira que assolou a Alemanha nos anos 30 começou a arrefecer. E o país, sob a ditadura do regime nazista, buscava alternativas para expandir suas influências e consolidar sua imagem propagandística junto à população.

Uma das opções foi relatada por Mario Amorós, jornalista e historiador espanhol, inteirado sobre os assuntos chilenos, em seu livro (Rapa Nui. Uma ferida no oceano) no qual revela que, em 1937, houve negociações para que a Alemanha comprasse a Ilha de Páscoa, situada a 3.700 km de distância da costa oeste do Chile. As informações foram divulgadas pelo jornal El País, que entrevistou o jornalista.


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A ilha é originalmente conhecida como Rapa Nui, denominação que voltou a ser usada em 2016. A região é conhecida por suas estátuas esculpidas em rochas vulcânicas, de erupções ocorridas há cerca de 3 milhões de anos.

O El País ressaltou que a obra de Amorós foi escrita com base em uma documentação robusta, grande parte inédita, a partir de consultas a dezenas de arquivos.


A opção pela compra do território seria para os alemães uma maneira de ganhar influência e posicionamento estratégico no Pacífico, em uma região próxima da América do Sul, cuja influência maior era inglesa e espanhola.

E para o Chile, conforme disse Amorós, que irá lançar o livro nos próximos dias 9 (em Santiago) e 14 (em Rapa Nui), o lugar não tinha muito valor, sendo estigmatizado por ser local para onde eram enviadas pessoas com lepra e arrendado pela Marinha para uma empresa privada.


Necessidade de dinheiro

Ao contrário da Alemanha, o Chile, governado pelo conservador Arturo Alessandri, entre 1920 a 1925 e entre 1932 a 1938, ainda se ressentia da crise econômica provocada pela quebra da bolsa de Nova York, em 1929, e precisava se capitalizar com a venda daquele território, por algo em torno de um milhão de dólares.


Para o governo chileno, havia certa pressa em efetivar a venda, pois o dinheiro poderia ser usado para fortalecer a frota naval. O país estava preocupado com a recente aliança da Argentina com o Peru e a Bolívia e a encomenda, por parte do governo argentino de oito navios de guerra britânicos. Isso ameaçava os interesses chilenos na região.

O governo de Alessandri já havia tentado, em vão, que americanos, ingleses e japoneses se interessassem pela ilha.

Mas, ao analisarem a sua localização, os alemães consideraram que o negócio não valeria a pena. Para eles a área era pouco interessante estrategicamente.

Amorós, porém, não foi o primeiro a desvendar a negociação. Ao El País, ele disse que soube do interesse a partir de uma investigação do historiador húngaro Ferenc Fischer, especialista nas Forças Armadas chilenas, que já encontrara provas sobre as conversas entre os governos chileno e o alemão nazista.

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A ilha voltou a se chamar Rapa Nui em 2016 (nome dado por um rei local em cerca de 400 d.c), a pedido dos moradores, que consideravam o outro nome, Páscoa, ligado às invasões na época das grandes navegações.

A intenção do governo chileno agora é estimular a cultura local. E no último dia 31, o presidente do Chile, Sebastian Piñera, anunciou a implantação de um controle demográfico na ilha, para preservar os recursos naturais da região.

Em 1939, a Alemanha deu início à Segunda Guerra Mundial, ao invadir a Polônia e tentar conquistar o continente para implementar seu regime cruel e supremacista. Não se sabe ao certo o que teria ocorrido caso os alemães, comandados pelo sanguinário Adolf Hitler, tivessem adquirido a ilha na Polinésia Oriental, próxima à América do Sul.

No pós-guerra, muitos oficiais nazistas se refugiaram no continente sul-americano, tentando esconder o passado e as atrocidades cometidas pelo regime. Elas, provavelmente, teriam ocorrido também na região, caso aqui os nazistas se instalassem. Mas essa opção foi descartada. Para tentar impor a tragédia, eles preferiram, inicialmente, a segunda opção: a europeia.

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