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Colômbia: Segundo turno coloca acordo de paz na berlinda

Ivan Duque venceu o primeiro turno das eleições e prometeu retirar a imunidade concedida a condenados por crimes em acordo assinado em 2016

Internacional|Do R7

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Duque vai concorrer presidência com Gustavo Petro
Duque vai concorrer presidência com Gustavo Petro

A Colômbia está a caminho de sua disputa presidencial mais acirrada em décadas, depois que o candidato de direita Ivan Duque venceu o primeiro turno da votação no domingo (27) e irá para um segundo turno contra o político de esquerda Gustavo Petro. Duque prometeu rever um histórico acordo de paz e reformas pró-mercado.

Essa foi a primeira vez na história moderna do conservador país sul-americano que um candidato de esquerda chega ao segundo turno de uma eleição presidencial, uma perspectiva que tem assustado investidores da quarta maior economia da América Latina nas últimas semanas.


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Duque, uma ex-autoridade de 41 anos do Banco Interamericano de Desenvolvimento, foi o vencedor do primeiro turno com 39% dos votos, à frente de Petro, ex-prefeito de Bogotá, com 25%, em linha com o previsto em pesquisas de intenção de voto.

Entretanto, a promessa de Duque de revisar o acordo de paz de 2016 com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) retirando a imunidade concedida a condenados por crimes tem preocupado muitos colombianos, desgastados após cinco décadas de conflito que mataram mais de 200 mil pessoas.


Embora o presidente Juan Manuel Santos tenha recebido o Prêmio Nobel da Paz por alcançar o pacto, o acordo dividiu profundamente a nação de cerca de 50 milhões de habitantes. O acordo foi rejeitado por uma pequena margem em um referendo, mas o Congresso acabou por aprová-lo em uma versão modificada.

Petro, ele mesmo um ex-membro do hoje extinto grupo rebelde M-19, apoiou o acordo, assim como três outros candidatos derrotados, o que significa que Duque pode ter que moderar sua posição para atrair eleitores.


"Não queremos acabar com o acordo. Queremos deixar claro que uma Colômbia de paz é uma Colômbia na qual a paz se encontra com a justiça", disse Duque a apoiadores animados em um discurso de vitória no domingo, durante o qual cumprimentou o terceiro colocado Sergio Fajardo e disse que suas agendas sociais têm muito em comum.

Fajardo, porém, não declarou apoio a nenhum dos finalistas.


Especialistas em política da Colômbia disseram que, se o segundo turno do mês que vem seguir pautas ideológicas, os votos da centro-esquerda podem bastar para Petro ameaçar seriamente Duque, se o candidato de esquerda conseguir rejeitar as acusações de radicalismo do adversário.

"Petro ficou atrás de Duque muito claramente na votação, então isso tranquilizará os mercados", disse Camilo Perez, chefe de estudos econômicos do Banco de Bogotá.

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