Colômbia: suspensão de conversas com ELN causa preocupação
Secretário-geral da ONU visita país em meio a escalada de violência
Internacional|Cristina Charão, do R7

A suspensão da mesa de diálogo de paz entre o governo da Colômbia e o Exército de Libertação Nacional preocupa colombianos e a comunidade internacional. Os países garante – espécie de fiadores da negociação – manifestaram-se em nota conjunta solicitando às partes que iniciem “a quinta rodada de conversações com a urgência que a situação merece”.
A nova rodada de negociação deveria ter começado na quarta-feira, mas foi cancelada pelo presidente da Colômbia, Juan Manoel Santos, depois deo ELN realizar diversos ataques a forças policiais e instalações petrolíferas. Os atos de violência ocorreram poucas horas depois de se encerrar o prazo do cessar-fogo provisório assinado em setembro.
Santos reiterou que não retomará as conversas antes que o ELN suspenda todas as ações violentas. Justamente neste fim de semana, o presidente recebe o secretário-geral da ONU, António Guterres. Na pauta, estará o papel das Nações Unidas no processo de paz na Colômbia.
A presença do ONU na mesa de diálogo foi considerada fundamental para os acordos alcançados anteriormente com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e com o próprio Exército de Libertação Nacional. O mesmo vale para o grupo de países garante, do qual o Brasil faz parte junto com o Chile, Cuba, Noruega e Venezuela, além do Equador, que é sede da mesa de diálogo.
Em nota, o Itamaraty registrou que “lamenta os atos de violência” e diz confiar “que logo sejam retomadas as tratativas entre as Partes e criadas as condições para o estabelecimento de novo cessar-fogo”. “O governo brasileiro renova sua melhor disposição para seguir contribuindo, como garante, para o êxito das negociações do processo de paz”, encerra a nota.
Internamente, a suspensão das negociações repercute no campo político. Líderes sociais e autoridades de cinco regiões da Colômbia fizeram um chamado para que o governo volte a sentar à mesa com a guerrilha.
Rodrigo Londoño, chefe da Farc e candidato à Presidência da República pelo partido em que se transformou a ex-guerrilha, publicou vídeo em que pede a retomada dos diálogos de paz. Em 2016, Londoño assinou o acordo de paz definitivo entre as Farc e o governo.
“Apesar das dificuldades, é uma obrigação moral e uma atitude ética a persistência na busca de saídas negociadas”, diz o líder da ex-guerrilha. “Os recentes atos de violência devem ser investigados rigorosamente e as responsabilidades deve ser assumidas, mas o desejo de paz não pode ser enterrado por acontecimentos pontuais.”











