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Comer verduras na gravidez pode fazer seu filho gostar de vegetais por toda a vida

Experimento indica que contato com aromas na gestação ajuda a reduzir rejeição a alimentos nas crianças

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Estudo indica que exposição a aromas de vegetais durante a gravidez pode influenciar preferências alimentares das crianças.
  • Crianças expostas a cenouras ou couves no útero mostraram reações positivas aos respectivos aromas após o nascimento.
  • Os pesquisadores sugerem que essa familiaridade pode reduzir a rejeição a vegetais, promovendo hábitos alimentares saudáveis no futuro.
  • A metodologia simples e de baixo custo pode ser adaptada a diferentes culturas alimentares, ampliando seus benefícios potenciais.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Cientistas podem ter descoberto como fazer crianças comerem mais verduras e legumes Green Prophet/Unsplash

Convencer crianças pequenas a comer verduras é um desafio conhecido por pais em todo o mundo. Livros infantis, receitas criativas e até promessas de recompensas costumam ser usados na tentativa de tornar alimentos como brócolis, couve e cenoura mais atraentes. Um novo estudo científico, porém, sugere que esse processo pode começar muito antes da primeira colherada: ainda dentro do útero.

Pesquisadores da Durham University, na Inglaterra, descobriram que crianças tendem a reagir de forma mais positiva ao cheiro de vegetais aos quais foram expostas repetidamente durante a gravidez. A conclusão reforça a hipótese de que experiências sensoriais no fim da gestação podem influenciar preferências alimentares por vários anos.

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O estudo foi liderado pela professora Nadja Reissland e publicado na revista científica Developmental Psychobiology. A pesquisa recebeu financiamento da Aston University e contou com a colaboração de especialistas de universidades do Reino Unido, da França e da Holanda.

Para conduzir o experimento, os cientistas dividiram gestantes em dois grupos. Um deles recebeu cápsulas com pó de cenoura; o outro, cápsulas com pó de couve. A estratégia foi adotada depois que algumas participantes relataram dificuldade para consumir grandes quantidades de suco desses vegetais.

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As reações dos bebês foram observadas em diferentes etapas. Primeiro, ainda no útero, por meio de exames de ultrassom. Depois, cerca de três semanas após o nascimento. Por fim, 12 crianças foram avaliadas novamente aos três anos de idade.

Os resultados mostraram um padrão consistente. Crianças expostas à cenoura durante a gestação demonstraram expressões faciais mais favoráveis ao sentir esse aroma e fizeram caretas diante do cheiro de couve. O mesmo ocorreu com aquelas que tiveram contato pré-natal com a couve: elas reagiram melhor a esse vegetal do que à cenoura.

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Segundo Reissland, o comportamento observado se repetiu em todas as fases do estudo. Para a pesquisadora, isso indica que a exposição a determinados sabores no fim da gravidez pode gerar uma memória duradoura de aromas e gostos, influenciando escolhas alimentares anos depois do nascimento.

A cientista destaca que o impacto potencial dessa descoberta é significativo. “O que vemos ao longo do tempo é que as crianças continuam mais receptivas aos vegetais aos quais foram expostas no útero”, afirmou. Na avaliação dela, esse mecanismo pode contribuir para a formação de uma população mais saudável.

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A hipótese é que a familiaridade com certos alimentos reduza a rejeição inicial, aumentando as chances de aceitação de opções nutritivas na infância. Isso é especialmente relevante porque o consumo adequado de vegetais está associado à prevenção de doenças crônicas e à promoção do desenvolvimento infantil.

O estudo, no entanto, foi realizado com um número reduzido de mães e crianças, o que limita a generalização dos resultados. Reissland afirma que pesquisas mais amplas são necessárias para confirmar as conclusões e investigar a aplicação da estratégia em maior escala.

Apesar dessa limitação, a pesquisadora acredita que a abordagem seria relativamente simples e de baixo custo. Segundo ela, fornecer cápsulas com vegetais para gestantes poderia representar uma medida acessível de saúde pública com benefícios a longo prazo.

Os cientistas também observam que o conceito pode ser adaptado a diferentes culturas alimentares. Reissland citou o exemplo do Japão, onde o consumo de peixes é mais comum, sugerindo que a exposição fetal a alimentos típicos de cada região pode estimular hábitos saudáveis no futuro.

A coautora Beyza Ustun-Elayan, da Universidade de Cambridge, afirmou que os resultados oferecem uma nova forma de pensar intervenções alimentares precoces, mostrando que a dieta materna pode moldar silenciosamente a relação das crianças com a comida.

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