Comissão propõe adiar eleição tailandesa após confrontos
Internacional|Do R7
Por Apornrath Phoonphongphiphat
BANGCOC, 26 Dez (Reuters) - A Comissão Eleitoral da Tailândia propôs nesta quinta-feira que a eleição prevista para fevereiro seja adiada, depois de violentos confrontos entre a tropa de choque da polícia e manifestantes que querem derrubar a primeira-ministra Yingluck Shinawatra e impedir o pleito.
Um policial morreu e três ficaram feridos por tiros disparados do alto durante o confronto, iniciado quando a tropa de choque usou gás lacrimogêneo e balas de borracha contra manifestantes que atiravam pedras e tentavam invadir o local onde haveria um sorteio de números eleitorais.
Cerca de 40 manifestantes foram hospitalizados, a maioria por inalar gás, mas vários também com ferimentos causados pelas balas de borracha, segundo o Ministério da Saúde.
Horas depois dos incidentes, a comissão eleitoral divulgou nota recomendando que o governo adie a votação até que todos os lados a apoiem - um cenário improvável, dada a vitória quase assegurada do partido Puea Thai, de Yingluck.
A proposta da comissão é um revés para a primeira-ministra, que busca reafirmar seu mandato diante das pressões dos opositores. Os confrontos nas ruas também são um golpe para ela, depois dos seus pedidos para que a polícia agisse com moderação, para evitar que a oposição acirrasse intencionalmente a situação de modo a enfraquecer seu governo e forçar uma intervenção dos militares ou do Judiciário.
"A eleição de 2 de fevereiro pode não acontecer se não houver consentimento mútuo entre todos os partidos correlatos", disse a comissão, sugerindo que ela própria poderá tomar essa decisão numa reunião em 2 de janeiro.
As manifestações são encabeçadas por membros da elite e da classe média de Bangcoc, que veem Yingluck como um fantoche do seu irmão, o bilionário ex-premiê populista Thaksin Shinawatra, muito popular entre os tailandeses pobres, especialmente no norte e nordeste do reino. Seu partido venceu todas as eleições desde 2001.
Ekanat Prompan, porta-voz dos manifestantes, disse que seu grupo não irá abandonar sua atual posição. "Insistimos em reformas antes da eleição. A administração de Yingluck deve renunciar."
A primeira-ministra viajou para o norte da Tailândia e só deve voltar à capital depois do ano-novo. Mesmo com ela ausente, cerca de 2.000 manifestantes se reuniram em frente à casa dela.
A crise afeta a economia tailandesa, já abalada pela desconfiança dos consumidores, a redução da produção industrial e o ritmo lento das exportações, responsáveis por cerca de 60 por cento do PIB.
O Ministério das Finanças disse na quinta-feira que o crescimento econômico em 2013 deve ficar em 2,8 por cento, abaixo da meta de 3 por cento. Para o ano que vem, a previsão é de 4 por cento, ou 3,5 se o atual impasse político perdurar.
(Reportagem adicional de Aukkarapon Niyonyat, Panarat Thepgumpanat e Jutarat Skulpichetrat)
