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Como a guerra no Irã põe em risco cabos de fibra óptica vitais para internet

Além do petróleo, estreito de Ormuz é considerado corredor essencial para tráfego de dados

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A guerra entre Irã e Estados Unidos alerta para o risco de danos nos cabos de fibra ótica no estreito de Ormuz.
  • Esses cabos são essenciais para a internet global, respondendo por cerca de 99% do tráfego mundial de dados.
  • Especialistas afirmam que sistemas via satélite não são uma substituição viável para o sistema de cabos.
  • Embora reparos sejam possíveis, o acesso às áreas marítimas é dificultado pelos riscos da guerra e pela necessidade de autorizações.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Diversos cabos de fibra óptica cruzam o fundo do mar do estreito de Ormuz e respondem por cerca de 99% do tráfego mundial de dados Divulgação/Marinha dos EUA/Adam Winters - 14.08.2013

O avanço da guerra entre Irã e Estados Unidos colocou sob alerta os cabos de fibra óptica que atravessam o estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas do mundo. O governo iraniano afirma que a estrutura da região representa um ponto de vulnerabilidade para a economia digital global.

Além de ser estratégica para o transporte de petróleo, a passagem marítima é um corredor essencial para a internet global. Diversos cabos de fibra óptica cruzam o fundo do mar da área e, segundo a UIT (União Internacional de Telecomunicações), respondem por cerca de 99% do tráfego mundial de dados. Essas estruturas também são fundamentais para a transmissão de comunicações, suporte a serviços em nuvem e outras conexões digitais entre países.


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“Cabos danificados significam internet mais lenta ou interrupções, disrupções no comércio eletrônico, atrasos em transações financeiras [...] e impactos econômicos decorrentes de todas essas interrupções”, disse a analista geopolítica e de energia Masha Kotkin à agência Reuters.

Com a expansão da inteligência artificial, a situação envolvendo os cabos no estreito de Ormuz é ainda mais preocupante, já que países como Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita vêm investindo bilhões de dólares na tecnologia e são dependentes da estrutura de informações.


Mas, afinal, quais são os riscos com a guerra no Irã?

Dados do Comitê Internacional de Proteção de Cabos (ICPC) e especialistas ouvidos pela Reuters apontam que entre 70% e 80% das falhas nos cabos submarinos são causadas por atividades humanas acidentais, principalmente pesca e âncoras de navios.

Estreito de Ormuz fica localizado entre o Irã e Omã Jacques Descloitres/Nasa

A guerra no Irã, que completou dois meses na terça-feira (28), provocou uma interrupção sem precedentes no fornecimento global de energia e na infraestrutura da região. Até o momento, os cabos submarinos não foram atingidos. No entanto, a Reuters alerta que há um risco indireto: embarcações danificadas podem acabar atingindo acidentalmente esses cabos ao arrastarem âncoras pelo fundo do mar.


“Em uma situação de operações militares ativas, o risco de danos não intencionais aumenta, e quanto mais tempo esse conflito durar, maior a probabilidade de danos acidentais”, afirmou Kotkin à agência, que lembra que um incidente semelhante ocorreu em 2024. Na época, um navio comercial atacado por houthis alinhados ao Irã derivou no Mar Vermelho e acabou rompendo cabos submarinos com sua âncora.

Embora o reparo dos cabos não seja extremamente complexo, especialistas afirmam que as decisões de empresas responsáveis pela manutenção e de seguradoras podem ser impactadas pelo risco de novos danos causados pela guerra ou pela possível presença de minas marítimas. Outro fator que dificulta o processo é a necessidade de autorizações para acesso às águas onde os reparos precisam ser realizados.


Ainda que eventuais danos aos cabos submarinos não provoquem uma perda total de conectividade, já que existem alternativas, especialistas destacam que sistemas via satélite não são uma substituição viável, pois não conseguem suportar o mesmo volume de tráfego e têm custos mais elevados.

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