Guerra do Irã beneficia a China ao impulsionar mercado de energia limpa; entenda
Crise do petróleo e os choques nos preços estão acelerando a transição para fontes de energia renovável em diversos países
Internacional|Stephanie Yang, da CNN Internacional
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A guerra no Irã fez com que países famintos por petróleo buscassem combustível freneticamente.
Muitos estão optando por alternativas energéticas — e recorrendo ao rei das renováveis do planeta: a China.
As exportações chinesas de tecnologia solar, baterias e veículos elétricos atingiram recordes históricos em março, de acordo com o grupo de estudos de energia Ember, um sinal de que o choque histórico na oferta de petróleo está acelerando a adoção de energia limpa em todo o mundo.
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Depois que os Estados Unidos e Israel lançaram ataques aéreos contra o Irã no final de fevereiro, os militares iranianos efetivamente bloquearam o estreito de Ormuz, cortando cerca de um quinto da oferta global de petróleo e gás natural.
A volatilidade dos preços do petróleo aumentou à medida que o conflito se expandiu para o Oriente Médio e as negociações para encerrar a guerra estagnaram.
Enquanto isso, as nações asiáticas que dependem do Oriente Médio para importações de energia estão tentando mitigar a escassez de combustível, incentivando a conservação de energia e reduzindo a jornada de trabalho.
À medida que os países investem mais em energia renovável, a China se beneficia como a maior fabricante mundial de VE, turbinas eólicas e painéis solares.
Um relatório de quinta-feira (23) da Ember informou que a China exportou 68 gigawatts de tecnologia solar em março, superando o recorde anterior estabelecido em agosto em 50%.
Cinquenta países estabeleceram novos recordes de importações solares chinesas, com o crescimento mais significativo vindo de mercados emergentes na Ásia e na África, os mais atingidos pela crise energética, de acordo com o grupo de estudos.
“Choques fósseis estão impulsionando o surto solar”, disse Euan Graham, analista sênior da Ember, no relatório. “A energia solar já se tornou o motor da economia global e, agora, os atuais choques nos preços dos combustíveis fósseis estão acelerando o processo.”
A Ember afirmou que as exportações de energia solar, baterias e VE no total aumentaram 70% em março em relação ao ano anterior, de acordo com dados da alfândega chinesa.
Essas categorias tornaram-se conhecidas na China como as “novas três”, contribuindo significativamente para o PIB do país no lugar das exportações de roupas, eletrodomésticos e móveis que anteriormente impulsionavam o crescimento.
As exportações de baterias da China atingiram US$ 10 bilhões (cerca de R$ 49 bilhões, na cotação atual) em março, com taxas de crescimento particularmente altas na UE (União Europeia), Austrália e Índia, informou a Ember.
Mudanças de paradigma
A incerteza sobre quando o estreito de Ormuz será reaberto estimulou ansiedades regionais mais profundas sobre a segurança energética, ajudando a acelerar a transição para a energia limpa, disseram analistas.
Os EUA e o Irã concordaram com um cessar-fogo enquanto negociam os termos para encerrar a guerra, mas as tensões no estreito permanecem elevadas.
Tanto as forças dos EUA quanto as iranianas apreenderam navios na passagem crítica, contendo novas tentativas de trânsito.
A crise do petróleo também reorganizou o comércio e as relações regionais, à medida que as nações buscam se isolar do choque de oferta. Aumentar a capacidade renovável tem sido uma forma de amortecer o golpe.
“Enquanto enfrentamos o segundo choque de combustível fóssil em menos de 5 anos, a lição para o nosso país é clara: a era da segurança dos combustíveis fósseis acabou, e a era da segurança da energia limpa deve amadurecer”, disse o Secretário de Energia do Reino Unido, Ed Miliband, em um comunicado esta semana sobre a necessidade de reduzir a dependência da nação no gás para eletricidade.
Na China, o investimento estatal massivo em indústrias de energia verde reforçou sua autossuficiência energética, reduzindo sua exposição à escassez de petróleo.
Sua dominância na tecnologia renovável também concedeu ao país mais influência geopolítica e econômica à medida que exporta sua tecnologia.
O Paquistão foi poupado de parte do impacto da guerra, já que começou a importar drasticamente painéis solares chineses baratos há alguns anos.
Estima-se que o uso de energia solar em vez de importações caras de petróleo economize bilhões de dólares para o país a cada ano.
“A China tem sido considerada uma fornecedora de baixo custo, mas é cada vez mais tratada como uma parceira de longo prazo na transição energética”, escreveu Jeong Won Kim, pesquisador sênior do Instituto de Estudos de Energia da Universidade Nacional de Singapura.
E não são apenas painéis solares. Analistas da Ember estimaram que a adoção global de VE reduziu o consumo de petróleo em cerca de 1,7 milhão de barris (270,3 milhões de litros) no ano passado — e, como os preços do petróleo subiram no início do conflito no Oriente Médio, a mídia estatal chinesa informou que as gigantes de VE do país viram um surto nas vendas no exterior.
De acordo com a Associação de Carros de Passageiros da China, as exportações chinesas de veículos elétricos e híbridos atingiram um recorde em março, aumentando 140% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Analistas disseram que parte do aumento nas vendas de energia solar no mês passado deveu-se ao estoque feito antes de a China interromper um abatimento fiscal em abril.
Lauri Myllyvirta, cofundador do Centro de Pesquisa em Energia e Ar Limpo, disse ser improvável que o aumento significativo nas exportações de março seja sustentável.
No entanto, o conflito no Oriente Médio fortaleceu o argumento de longo prazo para a energia alternativa, acrescentou ele.
“A queda nos custos da energia solar e das baterias, e agora os preços mais altos e voláteis dos combustíveis fósseis, tornaram a energia solar uma escolha óbvia para uma grande parcela dos consumidores globais de eletricidade”, disse ele.
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