Como os drones navais da Ucrânia estão mudando os combates no mar
Tecnologia desenvolvida pelas forças ucranianas é capaz de cumprir funções que antes dependiam de navios e aeronaves militares
Internacional|Do R7
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A Ucrânia ampliou o uso de drones no Mar Negro e passou a desenvolver embarcações não tripuladas capazes de cumprir funções que antes dependiam de navios e aeronaves militares. Os equipamentos já são utilizados para transportar drones aéreos, lançar ataques e até operar sistemas de defesa contra ameaças vindas do ar.
Segundo o The New York Times, a evolução dessas tecnologias transformou a maneira como Kiev atua no ambiente marítimo desde o início da invasão russa em larga escala, em 2022. O país passou de ataques com pequenas embarcações carregadas de explosivos para operações que combinam drones marítimos, aéreos e terrestres.
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No começo da guerra, a Rússia tinha ampla vantagem no Mar Negro. A Ucrânia, sem uma frota convencional comparável à russa, apostou no desenvolvimento de veículos controlados remotamente. Com o avanço dos projetos, essas embarcações passaram a desempenhar missões cada vez mais complexas.
Um dos modelos desenvolvidos pelos ucranianos é o Magura, utilizado em diferentes operações contra posições russas. O equipamento também passou a servir como plataforma para outros drones, funcionando de maneira semelhante a um pequeno porta-aviões não tripulado.

Equipamento atua em diferentes frentes
A estratégia ucraniana não se limita a ataques contra navios. Em uma das operações descritas pelo The New York Times, uma embarcação controlada remotamente transportou um veículo terrestre equipado com metralhadora até uma área ocupada pela Rússia. O episódio foi apresentado pelas autoridades ucranianas como um exemplo de operação anfíbia realizada inteiramente com sistemas robóticos.
Outra aplicação envolve a defesa aérea. Drones marítimos podem levar interceptadores para áreas próximas aos alvos, permitindo que aeronaves não tripuladas sejam lançadas a partir do próprio mar.
Em testes realizados pela Ucrânia, uma dessas plataformas foi equipada com lançadores para mísseis ar-ar. A ideia é usar os drones marítimos não apenas para atingir embarcações ou instalações costeiras, mas também para combater ameaças aéreas.
Em abril, uma brigada ucraniana especializada em sistemas não tripulados afirmou ter usado drones lançados de uma plataforma aquática para interceptar dois drones russos do modelo Shahed.
A combinação de diferentes equipamentos é uma das características do modelo adotado por Kiev. Uma mesma operação pode envolver drones marítimos responsáveis por transportar outros veículos, aeronaves não tripuladas usadas para reconhecimento ou ataque e sistemas terrestres controlados remotamente.
Para especialistas ouvidos pelo The New York Times, a experiência ucraniana passou a ser observada por forças militares de outros países interessados no potencial dessas tecnologias.
O desenvolvimento dos drones marítimos também criou um novo mercado para empresas ucranianas de defesa. Segundo o jornal americano, dezenas de companhias trabalham no desenvolvimento de plataformas e sistemas para esse tipo de operação.
A Uforce, fabricante dos drones Magura, fechou uma parceria para produzir embarcações não tripuladas nos Estados Unidos. Empresas de outros países também demonstraram interesse em cooperar com fabricantes ucranianos.
Barcos comuns viraram drones navais
A evolução dos drones marítimos ucranianos ocorreu de forma gradual. Os primeiros modelos foram adaptados a partir de embarcações civis e começaram a ser testados em 2023.
Desde então, os equipamentos passaram por modificações constantes para aumentar alcance, capacidade de carga e resistência às medidas russas de defesa.
O processo também envolveu perdas. Com frequência, os operadores precisavam recuperar embarcações após os testes, identificar falhas e alterar os sistemas antes de colocá-los novamente na água.
Uma das dificuldades enfrentadas pela Ucrânia é a guerra eletrônica. Os drones precisam continuar funcionando em ambientes nos quais os sinais de GPS podem ser bloqueados ou sofrer interferência.
Por isso, os projetos são modificados continuamente. O objetivo não é criar um único modelo capaz de realizar todas as tarefas, mas formar uma rede de diferentes equipamentos que possam ser combinados de acordo com a missão.
A Ucrânia também trabalha para aumentar o poder de fogo dessas plataformas. A próxima etapa, segundo comandantes envolvidos no desenvolvimento dos equipamentos, é ampliar a capacidade dos drones marítimos para transportar armamentos de maior alcance.
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