Confisco de bens da população seria ‘ainda muito pior para a narrativa iraniana’; veja análise
Governo emitiu um alerta para pessoas que vivem no exterior e protestam a favor dos EUA e de Israel
Internacional|Do R7, com RECORD NEWS
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Iranianos que vivem no exterior receberam um alerta de que qualquer manifestação a favor dos Estados Unidos e de Israel pode refletir em confiscos de bens pelo governo de Teerã. A decisão vem após alguns membros da oposição do país terem ido às ruas de cidades europeias e americanas para comemorar a morte do líder supremo, Ali Khamenei.
Segundo o gabinete do procurador-geral do Irã, Mohammad Movahedi-Azad, foi emitido um alerta a todos os iranianos que vivem no exterior e que, de diferentes maneiras, simpatizam ou apoiam o “inimigo”. Nos dados do governo iraniano, até 5 milhões de nacionais vivem no exterior, sendo a maioria nos Estados Unidos e na Europa Ocidental.

Para Igor Lucena, economista e doutor em relações internacionais, com a medida, o governo de Teerã tenta criar uma narrativa de que, se seu povo não está nas ruas, há apoio ao regime.
Porém, ele destaca que o atual modelo e as lideranças não representam mais a totalidade da população, o que pode gerar uma queda do governo em breve.
“O governo do Irã não representa mais a totalidade do seu povo, é um governo tirânico, é um governo que mata a sua própria população. Governos que matam a sua população não merecem estar no poder, isso é histórico. Nós vimos isso no Terceiro Reich, nós vimos isso na União Soviética. É uma questão de tempo até cair”, afirma Lucena em entrevista ao Conexão Record News desta segunda-feira (9).
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No entanto, na visão do especialista, se a medida for realmente tomada, essas pessoas no exterior poderão solicitar refúgio nos países em que se encontram — o que daria mais combustível para críticas internacionais ao governo de Teerã.
“E aí o Irã cria uma nova crise para si mesma, que não é ter 5 milhões de iranianos comemorando fora, mas ter 5 milhões de refugiados falando abertamente contra o seu governo nos perseguindo. Eu acho que a situação fica ainda muito pior para a narrativa iraniana”, finaliza.
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