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Conflito entre Coreias: a fronteira mais próxima da guerra e dos turistas

Internacional|Do R7

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Atahualpa Amerise. Panmunjom (Coreia do Sul), 30 mar (EFE).- Longe de semear o medo e o pânico, as graves e até agora vazias ameaças norte-coreanas elevaram a curiosidade no lado sul da fronteira do Paralelo 38, onde cada vez mais turistas do mundo todo se aventuram para tirar fotos entre postos militares e lojas de souvenires. "Ao ver as notícias sobre o que ocorria na Coreia do Norte, eu decidi vir", comentou Michael, um americano de 24 anos que trabalha como professor de inglês em Seul e que aproveitou para estrear sua nova câmera em um dos tours à fronteira mais militarizada do mundo, que, por sinal, é paradoxalmente chamada de Zona Desmilitarizada (DMZ). A faixa terrestre de quatro quilômetros de comprimento e 250 de largura que separa às Coreias desde a guerra de 1950-53 passou a ser foco da imprensa internacional após três semanas de ameaças feitas pelo regime de Kim Jong-un, que ontem voltou a afirmar que tanto a Coreia do Sul como os Estados Unidos estão na mira de seus mísseis. Em contraste com as baterias de artilharia supostamente armadas para disparar do lado norte, longas filas de ônibus se formavam no lado sul em frente ao peculiar parque temático do confronto, onde a cada dia milhares de turistas posam junto aos vestígios da guerra como se fossem monumentos. "Vir aqui neste momento de tensão exige mais coragem", afirmou à Agência Efe uma turista australiana de 34 anos acompanhada por seu marido, enquanto atrás deles os soldados do Sul e do Norte cruzam sérios olhares como a cada dia nos postos da Área de Segurança Fronteiriça (JSA) de Panmunjom. O casal se programou para realizar o tour há algumas semanas, quando a situação estava mais calma, embora não tenham cogitado "a hipótese de cancelá-lo" mesmo com as advertências norte-coreanas de guerra iminente, que ganharam destaque na imprensa de todo o mundo. "Ao contrário do esperado, não registramos muitos cancelamentos, mas sim um aumento do número de visitantes à DMZ", relatou a satisfeita Kim Seu-jin, uma veterana guia da região que estava na companhia de um ônibus repleto de turistas, a maioria asiáticos. "Ultimamente quase todos são chineses, mais de 90%", declarou a guia, embora os eventos das últimas semanas tenham atraído pessoas das mais diversas nacionalidades, como Reino Unido, Sri Lanka e Macau, assim como muitos grupos de jovens estudantes. Entre eles, um espanhol de 16 anos, chamado Nicolás, reconheceu que, apesar de seus pais estarem "mais preocupados" em Madri por causa de sua estadia na Coreia do Sul, ele não afirmou não sentir medo algum. "Nossos tutores coreanos nos encorajaram a vir à DMZ porque dizem que não há perigo real", explicou o jovem. A percepção de pouco perigo na Coreia do Sul também pode ser observada inclusive nos soldados de segunda linha da fronteira, a maioria jovens cumprindo seu serviço militar obrigatório de dois anos, que compartilham seus trabalhos rotineiros entre brincadeiras e ameaças de cumplicidade. Um deles, de aproximadamente 20 anos, assegurou à Agência Efe "ser corajoso", apesar da proximidade do poderoso e imprevisível Exército Popular norte-coreano, que conta com 1,1 milhões de soldados contra apenas 640 mil do Sul. A Coreia do Norte também possui mais tanques, submarinos e mísseis que a Coreia do Sul, cujas garantias de segurança são relacionadas a um armamento mais moderno e, sobretudo, ao respaldo incondicional dos Estados Unidos. Perguntado sobre sua disposição ao combate, o jovem soldado, com um sorriso no rosto, declarou estar "sempre pronto para lutar", o que faz o Paralelo 38 parecer a fronteira dos Pirineus, entre França e Espanha, enquanto a guerra parece estar presente somente nos relatos dos idosos. EFE aaf/fk/rsd (vídeo) (foto)

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