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Conselho eleitoral da Venezuela suspende etapa de referendo e revolta oposição

Internacional|Do R7

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Por Corina Pons e Alexandra Ulmer

CARACAS (Reuters) - A autoridade eleitoral da Venezuela suspendeu na quinta-feira a próxima fase de um referendo revogatório do impopular presidente Nicolás Maduro e provocou revolta na oposição, que acusou o governo socialista de usar táticas ditatoriais.


A nação rica em petróleo está atolada em uma crise econômica brutal que tem obrigado famílias a cortar refeições devido à escassez de alimentos e à inflação de três dígitos. Maduro, ex-motorista de ônibus e líder sindical eleito três anos atrás para substituir o falecido líder Hugo Chávez, tem visto sua popularidade despencar à medida que a recessão aumenta.

Seus inimigos prometeram pressionar pela realização de um referendo revogatório contra ele neste ano – que, se bem-sucedido, iria desencadear novas eleições presidenciais que Maduro perderia, segundo pesquisas de opinião.


O Conselho Nacional Eleitoral já havia dito que tal votação não ocorreria em 2016, e pareceu colocar o último prego no caixão na noite de quinta-feira.

Citando ordens dos tribunais, o organismo eleitoral informou em comunicado que está suspendendo a iniciativa de coleta de 4 milhões de assinaturas a partir da semana que vem que poderia levar à votação.


Mais cedo na quinta-feira, autoridades do partido governista da Venezuela disseram que várias cortes regionais anularam uma coleta de assinaturas anterior da oposição devido a alegações de fraude.

"Espero que a justiça seja cumprida e que os responsáveis por esta trapaça sejam detidos", disse o número dois do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), Diosdado Cabello, durante uma manifestação política ainda na quinta-feira.


A coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) repudiou a decisão, acrescentando que irá delinear seu plano de ação nesta sexta-feira.

"Temos um governo de ladrões usando o poder para se manter", disse o parlamentar opositor Jorge Millan em publicação no Twitter.

A oposição precisava de um referendo neste ano porque, segundo as regras constitucionais da Venezuela, caso Maduro perca um plebiscito no ano que vem, seu vice assumirá e não haverá uma nova eleição, o que tiraria da oposição a oportunidade de assumir o poder depois de 17 anos.

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