Crescimento e integração na América Latina equilibram relação com a UE
Internacional|Do R7
Santiago do Chile, 24 jan (EFE).- A cúpula CELAC-UE, que acontecerá no Chile entre os dias 26 e 27 de janeiro, será a primeira em que a América Latina apresentará a formação de um bloco único e, além disso, com um crescimento sustentado frente à crise na Europa. A reunião, cujo objetivo é conseguir "uma aliança para um desenvolvimento sustentável promovendo investimentos de qualidade social e ambiental", evidenciará que hoje em dia existe uma relação "mais equilibrada" entre as regiões graças ao poderio econômico da América Latina e seus avanços em matéria de integração, afirmou o Governo chileno, organizador do evento. A América Latina quer revisar sua relação com a União Europeia com relação às mudanças políticas e econômicas experimentadas nos últimos anos. "Nosso continente está despertando, somos o crescimento. Recuperamos a democracia e estamos reduzindo a pobreza e a desigualdade", ressaltou o presidente chileno, Sebastián Piñera, atual presidente rotativo da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC). "Queremos iniciar uma nova era, uma etapa baseada na cooperação estratégica para o desenvolvimento, não ao assistencialismo", porque a "região aprendeu com seus erros e soube enfrentar a atual crise mundial", disse Piñera, acrescentando que o Chile é um exemplo claro desta transformação. Em meio às turbulências econômicas do Primeiro Mundo, a estagnação dos países asiáticos e a desaceleração das principais economias da América do Sul, o Chile se destaca como um dos cinco países que mais crescem no mundo. Além disso, a América Latina e o Caribe formam pela primeira vez uma só voz na reunião com o bloco europeu após a constituição da CELAC. Isto faz com que seja possível alcançar "uma conversa mais simétrica" com os países da União Europeia, o principal investidor na região (US$ 613 bilhões, frente aos US$ 117 bilhões da América Latina na UE), comentou o chanceler chileno, Alfredo Moreno. A cúpula reunirá representantes dos 33 países da CELAC e os 27 da União Europeia, junto com os presidentes do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, e da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, assim como a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton. A Croácia - cuja entrada na UE está prevista para o próximo dia 1° de julho -, ao lado de Sérvia e Turquia, também participará da reunião como convidada. Nos últimos anos, os países da América Latina e do Caribe registraram um forte crescimento econômico em nível coletivo (com uma média de aumento do PIB de 4,5% em escala regional, durante o período 2010-2012). Este fenômeno gerou uma crescente confiança e fortaleceu a vontade de desempenhar um papel mais ativo em escala internacional, por exemplo em questões relacionadas com a economia mundial (no seio do G20) e nas negociações multilaterais sobre mudança climática e desenvolvimento sustentável. Seguindo este pensamento, a UE está convencida de que "o crescimento econômico da América Latina é uma oportunidade para a cooperação" entre ambos os blocos e "pode contribuir para superar a crise", segundo o presidente da Eurocâmara, o alemão Martin Schultz, durante uma visita de Piñera a Bruxelas em novembro. A associação estratégica entre a UE e os países da América Latina e o Caribe, estabelecida no Rio de Janeiro em 1999, se baseia no princípio de igualdade e na convicção de que as regiões obtêm proveito da colaboração e dos interesses em comum em um mundo interdependente. Isto se traduz em uma cooperação ativa em diversos âmbitos da economia, comércio e investimentos, assim como questões políticas, de segurança e meio ambiente. Além disso, a colaboração permite que ambas a regiões confirmem com maior eficácia suas respectivas posturas em questões de alcance mundial. Em cada uma das seis cúpulas anteriores (de uma periodicidade de dois anos aproximadamente), foram intensificados os diálogos e os contatos em nível político. Esta dinâmica culminou na última reunião, realizada em Madri em maio de 2010, com a adoção de um plano de ação geral. De forma paralela à cúpula de chefes de Estado e de Governo, na qual estarão presentes 1.100 delegados e 1.500 jornalistas, acontecem reuniões de alto nível com representantes do Poder Judiciário, dos Parlamentos, do mundo empresarial, de instituições acadêmicas e de organizações sociais. Os organizadores da reunião deram prioridade aos "retiros", ou encontros privados entre líderes, "para discutir os temas de maneira mais ágil e independente". EFE mf/ff/rsd














