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Crise no petróleo? Veículos elétricos da China estão prontos para dominar o século 21

Exportações chinesas de carros elétricos cresceram 78% no primeiro trimestre em relação ao ano anterior

Internacional|Simone McCarthy, da CNN Internacional

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Montadoras chinesas estão dominando o mercado de veículos elétricos, oferecendo tecnologia avançada e preços competitivos.
  • A demanda por veículos elétricos cresce globalmente, especialmente com o aumento dos preços do petróleo devido a conflitos geopolíticos.
  • A China aposta na eletrificação de sua economia para reduzir a dependência de combustíveis fósseis, ao mesmo tempo que busca expandir sua influência global.
  • Enquanto enfrenta barreiras no mercado dos EUA, as montadoras chinesas aceleram sua presença na Europa e em outros mercados internacionais.

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Novos carros da BYD cresceram quase 170% no 1º trimestre deste ano na União Europeia Maxim Shemetov/Reuters via CNN Internacional

Um SUV elegante oferece massagens mecânicas para os pés, uma minivan de luxo tem bancos giratórios para facilitar o acesso dos passageiros à terceira fileira — e uma parcela surpreendente dos modelos conta com karaokê a bordo com alto-falantes de nível profissional.

Outros possuem faróis capazes de projetar filmes em uma parede, transformando qualquer lugar em um cinema drive-in. Nesse cenário, recursos de direção inteligente são onipresentes, até mesmo em modelos acessíveis.


Para muitos consumidores que observam de fora, as opções na China — exibidas esta semana em Pequim, no maior salão do automóvel do mundo — parecem um sonho. Mas, para algumas montadoras e políticos ao redor do mundo, representam uma ameaça existencial.

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As fabricantes chinesas estão produzindo em larga escala e a preços relativamente baixos. E há outro grande atrativo: enquanto os custos de petróleo e gás disparam por causa da guerra no Irã, a grande maioria desses carros é elétrica ou híbrida.


O contraste com os Estados Unidos nunca foi tão evidente: no ano passado, Washington reduziu o apoio aos veículos elétricos em favor dos carros movidos a combustíveis fósseis e, na prática, barrou a entrada de automóveis chineses no mercado, alegando a necessidade de proteger a segurança nacional e a indústria local.

Com o presidente dos EUA, Donald Trump, esperado na China em meados de maio para conversas com o líder Xi Jinping, as montadoras chinesas também observam uma nova fronteira, acompanhando se o aumento da demanda global por veículos elétricos ajudará a abrir as portas do mercado americano.


Independentemente disso, a mensagem do evento — que ocupa uma área equivalente a 70 campos de futebol — é clara: a China avança de forma implacável na tecnologia que acredita que vencerá o século 21.

As principais montadoras chinesas — e Pequim — estão apostando alto que o restante do mundo escolherá sua visão de um futuro elétrico, em vez de um ainda dependente da bomba de combustível.


O aumento dos preços da gasolina é “um alerta para quem nunca considerou um veículo elétrico”, afirmou Stella Li, executiva da BYD, à CNN Internacional nos bastidores do evento, ao comentar a ambiciosa estratégia de expansão da maior fabricante de elétricos do mundo. “Quando você migra para o carro elétrico, não volta mais para o veículo a combustão.”

Expansão internacional

Conquistar clientes no exterior agora é essencial para os grandes players chineses.

De longe, o país tem o maior mercado de veículos elétricos do mundo. Mais da metade dos carros novos vendidos na China são elétricos ou híbridos. Em suas megacidades e além, o trânsito está cada vez mais silencioso, com o zumbido dos motores elétricos substituindo o ronco dos motores a combustão.

Mas as gigantes do setor também enfrentam uma disputa intensa por participação de mercado, com guerras de preços agressivas e concorrência acirrada em um mercado doméstico saturado, pressionando lucros e crescimento.

A expansão internacional já está em ritmo acelerado, com grandes marcas investindo em infraestrutura de recarga e buscando atrair clientes e parceiros no exterior. As exportações chinesas de veículos elétricos cresceram 78% no primeiro trimestre em relação ao ano anterior, segundo dados oficiais.

Ainda assim, as montadoras chinesas enfrentam um cenário global cauteloso diante da concorrência.

Uma carta aberta assinada por mais de 70 legisladores americanos alertou Trump contra “qualquer esforço para reduzir barreiras aos automóveis chineses ou facilitar sua entrada no mercado dos EUA”, afirmando que as consequências para trabalhadores, cadeias de suprimentos e segurança nacional “seriam profundas”.

Tarifas elevadas sobre carros importados da China funcionam, na prática, como um embargo, enquanto restrições a softwares ligados à China em veículos novos complicam planos de produção nos EUA ou em países vizinhos.

A Europa, por sua vez, optou por tarifas que visam equilibrar a concorrência, não bloqueá-la. E as montadoras chinesas vêm ganhando espaço por lá: os registros de novos carros da BYD cresceram quase 170% no primeiro trimestre deste ano nos países da União Europeia, segundo dados do setor.

O que mais preocupa concorrentes estrangeiros é a escala de produção na China, onde montadoras contam com cadeias de suprimentos robustas e fábricas altamente automatizadas.

Por trás disso está a preocupação de que o apoio governamental de longa data — com subsídios, incentivos fiscais e outros benefícios — tenha tornado os carros chineses concorrentes desleais capazes de eliminar rivais globais.

As empresas chinesas, porém, veem a situação de outra forma.

Para Stella Li, a força dos EUA está na capacidade de atrair empresas e talentos do mundo todo para competir. “Quando você se torna um mercado protegido, perde essa vantagem… E enfraquece o país”, afirmou.

Mesmo assim, a BYD e outras montadoras chinesas, incluindo a rival doméstica Geely, não apostam no mercado americano no curto prazo.

“Estamos abertos a discussões, mas não temos planos de vender nossos carros diretamente aos consumidores nos EUA no curto ou médio prazo”, disse Victor Yang, vice-presidente sênior da Geely, à CNN Internacional durante o evento.

Fora dos EUA, porém, Yang vê a expansão como uma via de mão dupla. Sua empresa tem joint ventures em países como Brasil, Coreia do Sul e Reino Unido. “O melhor das práticas chinesas de eletrificação e inteligência pode ser compartilhado com parceiros em outras regiões, para que os consumidores se beneficiem do avanço tecnológico”, afirmou.

Disputa pelo futuro

A transferência de tecnologia das montadoras chinesas para empresas estrangeiras representa uma inversão em relação a décadas atrás, quando fabricantes chineses dependiam de joint ventures com marcas estrangeiras para adquirir conhecimento.

Agora, assim como a Ford e a linha de montagem simbolizaram a engenhosidade americana do século 20, o setor de veículos elétricos da China e sua produção altamente automatizada se tornaram símbolos da ascensão do país como potência tecnológica no século 21.

O sucesso global das montadoras chinesas pode oferecer a Pequim uma nova forma de “poder brando”, em um momento em que o país busca se posicionar como alternativa de liderança global aos EUA.

O choque global do petróleo, que já dura mais de dois meses, também reforça o que Pequim considera uma vantagem de sua estratégia.

Os veículos elétricos fazem parte de um esforço mais amplo do governo chinês para reduzir a dependência de petróleo e gás e eletrificar a economia, inclusive com energias renováveis — uma estratégia que parece ter beneficiado a segunda maior economia do mundo no cenário atual.

Demanda por petróleo

A frota de veículos elétricos e híbridos da China reduziu a demanda nacional por petróleo em mais de 1 milhão de barris por dia, segundo um estudo de 2025 do Rhodium Group.

Mas uma visita aos pavilhões do salão do automóvel de Pequim deixa claro que as marcas chinesas não veem essa corrida apenas como uma questão de eficiência energética, e sim de tecnologia.

Assim como empresas americanas como Tesla e Waymo desenvolvem um futuro com frotas de carros autônomos para o dia a dia, suas rivais chinesas — como XPeng, Geely, BYD — e empresas de tecnologia como Baidu, Huawei e Pony.ai — constroem seus próprios ecossistemas tecnológicos para o mesmo objetivo.

E, também nesse campo, as empresas chinesas estão confiantes de que podem competir.

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