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Cristina Kirchner rejeita denúncia de Nisman e relaciona sua morte com caso Amia

Presidente argentina afirmou que informações cruciais do caso estão sendo omitidas

Internacional|Do R7

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A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, afirmou nesta segunda-feira (26) que a denúncia do promotor Alberto Nisman contra ela não tem "fundamento" e considerou que sua morte está vinculada com o atentado contra a Amia e os antecedentes do memorando de entendimento assinado com o Irã.

"Essa denúncia, sem nenhum fundamento, e a morte do promotor Nisman estão diretamente vinculadas com o antecedente do memorando de entendimento assinado com o Irã e com o atentado contra a Amia", disse a presidente em mensagem ao país transmitida por rede nacional.

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"Parece que, na realidade, ninguém queria que se averiguasse a fundo ou que se interrogasse alguém", opinou Cristina sobre o caso do atentado contra a associação mutual israelita que deixou 85 mortos em 1994.

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A denúncia de Nisman é "descabelada", tem "argumentos absurdos" e nenhum especialista "pode acreditar que isso foi escrito por um advogado, muito menos por um promotor", afirmou.

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"Ninguém pode achar que alguém possa cometer um crime ao assinar um tratado internacional aprovado pelo Congresso", insistiu.

A governante desmontou os argumentos da denúncia do promotor, desde o depoimento do ex-chefe de Interpol confirmando que os "alertas vermelhos" contra os acusados iranianos se mantêm em vigor, até a queda do comércio com o Irã a partir de 2010, que foi acentuada após a assinatura do acordo de entendimento.

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Além disso, disse, "nunca compramos petróleo do Irã porque o petróleo iraniano não serve para ser tratado na Argentina pelos componentes que tem".

"São dados que estão disponíveis para qualquer um, dados públicos e bastaria ter visto isso para não incorrer em erros tão grosseiros", acrescentou.

"O atentado aconteceu há 20 anos e alguém insinuou, com uma denúncia sem fundamentos, que queríamos desviar a atenção e acobertar os iranianos pela venda de grãos", acrescentou a presidente. Além disso, lembrou que as empresas que vendem para o Irã são, em sua maioria, multinacionais e "ninguém pode pensar que alguma delas é, precisamente, amiga do governo".

"Seguimos como estávamos em 2003, queremos saber e para isso necessitamos fazer um interrogatório e precisamos da cooperação judicial que reivindicamos ao Irã durante anos, e quando se assina um memorando de entendimento, a Justiça argentina, devido a pressões de promotores e juízes, o declara inconstitucional e nada é resolvido", continuou.

Após a assinatura do acordo "tínhamos dado um salto qualitativo muito grande e soltaram todos os demônios". "Hoje, ainda não há um único detido, nem um condenado", denunciou Cristina.

A presidente garantiu que soube da morte do promotor na madrugada da última segunda-feira, através da ministra de Segurança, María Cecilia Rodríguez, e apresentou novas informações sobre a figura de Diego Lagomarsino, o colaborador de Nisman que lhe deu a arma que acabou com sua vida e que é até agora o único acusado.

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Um especialista em informática contratado por Nisman que a presidente definiu como um "feroz opositor do governo" e que tentou renovar seu passaporte no último dia 14, o mesmo dia em que o promotor apresentou a denúncia contra ela.

Cristina denunciou que informações cruciais estão sendo omitidas, pois "não interessa atacar e perseguir a corrupção", mas "atacar e perseguir o governo".

"Não vão me extorquir, não vão me intimidar", destacou a presidente, que acrescentou: "Eu não tenho medo. Podem dizer o que quiserem, podem fazer o que quiserem, que os juízes me intimem, que os promotores me denunciem".

"Não vão me fazer mudar o que sempre pensei. Não se pode seguir conduzindo a República Argentina desse jeito. É necessária também uma reforma do Poder Judiciário", reivindicou.

"Talvez, tudo o que aconteceu constitua o Fio de Ariadne que nos permita dar uma resposta para as 85 vítimas e seus familiares", afirmou. 

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