Logo R7.com
RecordPlus

Dados mostram que migração não elevou a criminalidade na Itália

Números oficiais do Instituto Nacional de Estatística italiano apontam que, na verdade, os homícidios e latrocínios tiveram queda nos últimos anos

Internacional|Da Ansa Brasil

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window
Os indíces de criminalidade caíram continuamente no país
Os indíces de criminalidade caíram continuamente no país

Responsável pelas políticas de segurança da Itália, o ministro do Interior e vice-premiê Matteo Salvini gosta de usar o Twitter para dar publicidade a crimes cometidos por imigrantes ou solicitantes de refúgio.

A tática, replicada por líderes nacionalistas de toda a Europa, tenta relacionar a explosão migratória a um suposto crescimento da criminalidade, mas os números mostram que, ao menos na Itália, nem sempre uma coisa tem conexão com a outra.


Entre 2013 e 2018, o país recebeu 691 mil migrantes forçados pelo Mar Mediterrâneo, segundo o Ministério do Interior, enquanto o número de estrangeiros em sua população saltou de 4,38 milhões para 5,14 milhões, um crescimento de mais de 17%.

Nesse período, no entanto, os índices de criminalidade vêm caindo de forma contínua, como mostram dados oficiais do Instituto Nacional de Estatística (Istat).


Leia também

Em 2013, o país registrou 0,8 homicídio doloso para cada 100 mil habitantes (502 casos denunciados pela polícia à Justiça), indicador que chegou a 0,6 em 2017 (368), último ano com números disponíveis.

Já a taxa de latrocínios foi de 0,1 para cada 100 mil habitantes (33 denúncias) em 2013, mas em 2017, com 16 casos, sequer atingiu a metade do valor mínimo considerado, segundo o Istat. O índice de tentativas de homicídio caiu de 2 (1.222 casos) para 1,8 (1.098) a cada 100 mil habitantes em quatro anos.


A mesma tendência se verifica nos crimes de agressão (de 25,9 para 23,4 a cada 100 mil habitantes), sequestro (de 2,2 para 1,7), furto (de 2.581,2 para 2.090,8) e roubo (de 72,6 para 50,5).

As exceções são os delitos de violência sexual, cuja taxa cresceu de 7,5 em 2013 (4.488 casos) para 7,7 em 2017 (4.634), e os crimes ligados a drogas, que saltaram de 55,7 a cada 100 mil habitantes (33.578 casos) para 65,4 (39.592) no mesmo período.


Estrangeiros

Os números do Istat também revelam que a parcela de estrangeiros na população italiana aumentou de forma contínua de 7,35% em 2013 para 8,50% em 2018, mas, por outro lado, a porcentagem de crimes cometidos por imigrantes permanece relativamente estável, embora elevada.

Em 2013, estrangeiros respondiam por 20,77% dos homicídios dolosos denunciados à Justiça da Itália, mas em 2016, último ano com dados disponíveis, esse número já era de 19,84%.

Também houve ligeira queda nos índices relativos a lesões (de 23,43% para 22,34%), violência sexual (de 39% para 38,26%), furtos (de 50,02% para 42,69%), roubos (de 38,63% para 36,66%) e drogas (37,18% para 36,23%).

Por outro lado, os dados evidenciam aumentos na parcela de estrangeiros que cometeram latrocínios (de 42,85% para 46,42%), tentativas de homicídio (de 31,88% para 32,76%) e sequestro (de 38,52% para 40,26%).

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.