Dia 13: a chegada a Kiev, onde pessoas buscam refúgio no metrô
Leandro Stoliar relata que na capital da Ucrânia há dificuldade para comprar água e comida, o que força uma mudança de estratégia
Internacional|Leandro Do R7

Leandro Stoliar, enviado especial do Jornal da Record para a Ucrânia, conta que no 13º dia de sua viagem à Ucrânia, o trem em que estava a caminho de Kiev parou à noite e apagou as luzes para evitar ser visto por caças russos que sobrevoavam a região. Além disso, ele conta que presenciou grande quantidade de pessoas refugiadas em estações de metrô na capital ucraniana, onde a falta de água, comida e local seguro forçaram uma mudança de estratégia na cobertura.
"A guerra começou oficialmente e nós conseguimos pegar o trem em direção à Kiev, capital da Ucrânia, depois de quase 4 horas de atraso. A viagem é tensa. Recebemos a informação do maquinista de que o trem vai viajar apagado e rápido para não ser atacado. De repente, depois de 3 horas de viagem, nosso trem para. Não estamos numa estação, mas no meio do nada. Os motores são desligados, as luzes apagadas e o silêncio aumenta. Meus amigos dormem na cabine. Estamos num escuro completo. Caças passam por cima do trem. O som dos aviões é alto. Essa é uma sensação difícil de explicar. Desligar o trem foi a maneira que o funcionário encontrou de despistar os aviões russos".

"Nossa chegada a Kiev também é tensa. Os bombardeios começaram no centro da capital ucraniana. Passageiros correm para se proteger. O exército russo chega à capital. Militares ucranianos resistem. O governo decreta Estado de Guerra e põe em prática a lei marcial. Nenhum homem entre 18 e 60 anos pode deixar o país. As ruas estão vazias. Os mísseis russos são lançados em alvos militares mas também acertam civis".
Fora do metrô, em Kiev, o som de bombas. "Nosso trajeto até o hotel é pelas estações de trem e metrô lotadas de ucranianos pelo chão que buscam se proteger dos bombardeios. Corremos pela rua em direção ao hotel ouvindo o som das bombas, mas apesar da tentativa, o hotel estava fechado. Os funcionários fugiram. Encontramos um abrigo seguro perto da embaixada do Brasil, mas não havia como ficar lá por mais de uma noite".
A cobertura seguirá para a Polônia: "Não temos mais onde ficar, não há mais como comprar comida e água, e a informação de que vai faltar água e energia nos próximos dias nos leva a tentar uma outra estratégia para garantir a cobertura jornalística e a nossa segurança: Mostrar a crise dos refugiados provocada pela guerra. Nosso destino agora é a Polônia".













