Discurso de Cristina Kirchner na ONU pede mais consensos e menos vetos
Internacional|Do R7
Nações Unidas, 6 ago (EFE).- A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, fez nesta terça-feira uma ferrenha defesa da necessidade de reformar o Conselho de Segurança da ONU diante de um novo mundo, no qual fazem falta mais consensos e menos vetos. "É necessário revisar o funcionamento das instituições da ONU, e em particular do Conselho de Segurança", disse Cristina durante discurso no principal órgão de decisão das Nações Unidas, atualmente presidido pela Argentina. A presidente disse que, terminada a Guerra Fria, a comunidade internacional deve "repensar" o funcionamento de suas instituições porque "os velhos métodos" não respondem à nova realidade. "Parece uma obviedade, mas muitas vezes os membros permanentes usam o direito a veto para obstruir a verdadeira resolução de conflitos", criticou, na presença de representantes desses cinco países: Estados Unidos, Rússia, França, China e Reino Unido. Após lembrar que o direito a veto dos cinco membros permanentes respondia a uma lógica diferente, defendeu a busca de consensos que não se baseiem nos interesses particulares de cada Estado e a adoção de resoluções "por unanimidade". "São tantos e tão graves os problemas que atravessa o mundo, que devemos repensar este organismo e desenhar novos instrumentos que nos permitam ser eficazes. Só teremos o respeito da sociedade global quando demonstrarmos que somos eficazes", ressaltou. Durante o debate, centrado na cooperação entre a ONU e as organizações regionais para a manutenção da paz, Cristina destacou a resposta da América Latina a diferentes conflitos através de grupos como a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e da União de Nações Sul-Americanas (Unasul). Cristina lembrou a crise entre Colômbia e Equador em 2008 que quase terminou em conflito armado e encerrada graças à intervenção do Grupo do Rio, a resposta da Unasul à crise de Pando na Bolívia ou a tentativa de destituição do presidente do Equador, Rafael Correa. Essas organizações "permitiram a continuidade do sistema democrático em uma região onde essa não é uma questão menor", destacou a presidente argentina, que disse que a América Latina é na atualidade "uma região de paz". Cristina aproveitou o discurso para voltar a pedir ao Reino Unido que conversem sobre a disputa pela soberania das ilhas Malvinas, e reafirmou que a paz e a segurança são dois valores "muito vulneráveis" no mundo contemporâneo. A presidente também defendeu o estabelecimento de regulações de caráter global que assegurem a soberania dos estados e a privacidade dos cidadãos, em referência aos atos de espionagem por parte das agências de inteligência dos Estados Unidos na América Latina. "O Muro de Berlim caiu também porque os cidadãos do outro lado queriam viver em liberdade, sem serem observados nem se sentirem controlados", e continuou "a paz, a segurança, o crescimento econômico, a inclusão e o respeito aos direitos humanos e a privacidade das pessoas são valores inalienáveis que ninguém deve desprezar". No encerramento do discurso criticou os que acham que a paz é alcançada através das armas e lembrou que na história há milhares de exemplos que demonstram que as sociedades se constroem com "valores e ideais", citando as revoluções emancipadoras no século 19 na América Latina. Esta é a nona vez que a Argentina faz parte do Conselho de Segurança. A primeira vez foi em 1948-1949 e a última tinha sido em 2005-2006. Em outubro, o país foi escolhido em uma votação na Assembleia Geral, junto com Ruanda e Austrália, para participar novamente do órgão no biênio 2013-2014, O Conselho é integrado por 15 membros, cinco permanentes e com direito a veto (Estados Unidos, Rússia, França, Reino Unido e China) e mais outros dez temporários e que se alternam a cada dois anos. Os postos não permanentes são divididos por regiões geográficas, dois para a América Latina e o Caribe (Grulac), atualmente representados por Guatemala e Argentina. Os outros oito membros não permanentes são Togo, Marrocos, Ruanda, República de Coreia e Paquistão, representando África e Ásia; Azerbaijão, pela Europa Oriental, e Luxemburgo e Austrália, pela Europa Ocidental e outros países. EFE elr/cd/rsd (foto)










