Disputa eleitoral acirrada torna imprevisível resultado das urnas na Suécia
Eleições começaram no dia 27 de agosto e o último dia de voto é neste domingo (14)
Internacional|Wellington Calasans, especial para o R7, em Estocolmo

Há oitos anos os suecos são governados por um bloco de coalizão de direita, Alliansen, que tem na figura do primeiro-ministro Fredrik Reinfeldt (Moderaterna) a cara mais conhecida. O atual governo, no entanto, pode estar com os dias contados. Segundo a última pesquisa realizado pelo SIFO — principal instituto sueco de opinião pública —, o Social-Democrata (partido dos trabalhadores), que encabeça o bloco de oposição “Verde-Vermelho”, tem ligeira vantagem (6,2%) em relação ao bloco da situação.
A diferença é considerada pequena pelos analistas políticos locais, entretanto há uma “onda de crescimento na reta final” registrado pela oposição, sobretudo na comparação com as pesquisas anteriores. No confronto direto o partido Social-Democrata está com 30,4 %, enquanto o partido dos moderados (Moderaterna) tem apenas 22,6%.
Mudança do voto
Neste domingo (14), a votação em toda a Suécia será encerrada, mas desde o dia 27 de agosto a população já podia exercer o seu direito cívico do voto, que no entendo, não é obrigatório.
Um detalhe curioso do sistema eleitoral sueco, é que aqueles que já votaram podem mudar o voto antes do último dia de votação. Em poucas palavras, no período de votação o eleitor pode, um única vez, anular o próprio voto e mudar a escolha. Esta possibilidade tem sido a esperança do atual governo de sair da incômoda desvantagem apresentada na última pesquisa de opinião pública.
Eleições na Suécia têm 600 candidatos com mais de 80 anos
Uma prova da luta contra o tempo do bloco governista (Alliansen) é a postura agressiva, pouco habitual entre os suecos, nos debates, entrevistas e aparições públicas. Há um confronto explícito entre os candidatos, inclusive com técnicas teatrais, em que papéis com supostos projetos são apresentados diante das câmeras de TV como se daquilo fossem sair as soluções para todos os problemas, ou simplesmente uma cobiçada mudança do quadro eleitoral apresentando nas pesquisas.
Impostos, desemprego e educação no centro do debate
Durante os dois mandatos de quatro anos, o atual bloco governista (Alliansen) manteve o índice de desemprego na casa dos 7%, considerado alto para os padrões suecos. A oposição tem explorado exaustivamente o tema e alertado o eleitor para a possibilidade de conter a inflação sem a necessidade de desempregar as pessoas.
A queda na qualidade do ensino público, provocada, entre outros fatores, pelo número elevado de alunos na mesma classe e a privatização de algumas escolas, é o outro problema enfrentado por Fredrik Reinfeldt e os seus aliados nesta corrida eleitoral.
Por outro lado, foi a volta ao debate da aparente ameaça ao bem-estar social, marca do Social-Democrata, que impôs aos moderados a atual desvantagem na corrida eleitoral. Para que chegassem ao poder, os moderados prometeram não mexer nos impostos, mas aos poucos foram introduzindo algumas reduções na carga tributária e provocou o pânico entre a maioria dos suecos que, com pavor à agenda neoliberal, prefere pagar mais impostos para que possam cobrar e receber melhores serviços públicos. O recuo tardio do bloco da situação pode ter custado a permanência do poder.
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