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Drones de R$ 1.500 mudam a guerra no sul do Líbano e impõem novo desafio a Israel

Aeronaves montadas com impressão 3D e componentes comerciais ampliam a capacidade ofensiva do Hezbollah

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Drones de baixo custo, fabricados com impressão 3D, agora são armas principais do Hezbollah contra Israel.
  • A tecnologia de fibra óptica permite comunicação segura e dificulta a interceptação.
  • Israel reavaliou sua estratégia de defesa devido à eficácia crescente desses drones.
  • O governo israelense planeja aumentar a produção de seus próprios drones para enfrentar a nova ameaça.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Vídeo publicado pelo Hezbollah mostra ataque de drone a tanque israelense Reprodução/Jornal da Record

Pequenos, baratos e difíceis de interceptar, drones explosivos fabricados com impressão 3D passaram a ocupar papel central nas ações do grupo terrorista Hezbollah contra as tropas israelenses no sul do Líbano.

Custando entre US$ 300 (cerca de R$ 1.470) e US$ 400 (cerca de R$ 1.960) por unidade, essas aeronaves não tripuladas se tornaram uma das principais ferramentas do grupo para atacar soldados, blindados e equipamentos militares, impondo um novo desafio à defesa de Israel.


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Os equipamentos pertencem à categoria conhecida como FPV (first-person view, ou visão em primeira pessoa). Nessa modalidade, o operador pilota o drone a partir de imagens transmitidas em tempo real por uma câmera instalada na aeronave. Ao alcançar o alvo, o aparelho detona a carga explosiva acoplada.

O diferencial mais importante desses modelos é o uso de um cabo de fibra óptica, enrolado em um carretel e conectado ao operador. Esse sistema substitui a comunicação por rádio e impede que o sinal seja bloqueado por mecanismos tradicionais de guerra eletrônica. Como toda a transmissão ocorre dentro do fio, não há emissão de ondas que possam ser facilmente interceptadas ou neutralizadas.


Além disso, os drones apresentam baixa assinatura de radar, já que possuem poucos ou nenhum componente metálico. Alguns modelos medem menos de um metro e podem voar em alta velocidade, fazendo curvas bruscas e contornando obstáculos. Essas características dificultam tanto a detecção quanto o abate.

O Hezbollah vem divulgando vídeos que mostram ataques bem-sucedidos contra alvos israelenses. Em um dos casos mais recentes, um drone atingiu soldados posicionados ao lado de um tanque, matando um militar e ferindo outros seis. Em outro episódio, o equipamento teria superado o sistema Trophy, mecanismo de proteção instalado nos tanques Merkava para interceptar projéteis.


Desde o cessar-fogo firmado em 17 de abril, esses aparelhos se tornaram ainda mais frequentes no campo de batalha. Segundo autoridades israelenses, ao menos quatro integrantes das forças de segurança morreram em ataques com drones após a trégua. O uso crescente da tecnologia reflete a estratégia do Hezbollah de elevar o custo da presença militar israelense no sul do Líbano.

De acordo com estimativas das Forças de Defesa de Israel (IDF), o grupo conta com cerca de 100 operadores de drones distribuídos pela região. As autoridades israelenses acreditam que o período de pausa nos combates foi aproveitado para comprar componentes, montar aeronaves e treinar pilotos.


A produção local ganhou importância após a queda do presidente sírio Bashar al-Assad, no fim de 2024. Com isso, foi interrompido o corredor terrestre utilizado para transportar armas e equipamentos do Irã até o Líbano. Sem essa rota, o Hezbollah passou a depender cada vez mais de soluções de baixo custo fabricadas internamente.

Fontes ligadas ao grupo afirmam que os drones são montados com componentes eletrônicos de uso comercial, facilmente encontrados no mercado e adaptados para fins militares. A impressão 3D permite produzir rapidamente estruturas leves e descartáveis, reduzindo custos e simplificando a reposição.

Inspiração na guerra da Ucrânia

Embora o Hezbollah já utilizasse drones desde a guerra civil na Síria, o atual modelo foi aperfeiçoado a partir das lições observadas no conflito entre Rússia e Ucrânia. O uso de drones conectados por fibra óptica começou a ganhar destaque no fim de 2024, como resposta às intensas tentativas de bloqueio eletrônico no front europeu.

Na Ucrânia, tanto russos quanto ucranianos demonstraram a eficácia devastadora dessa tecnologia. Uma tática adotada pelo Hezbollah também foi inspirada nesse conflito: um drone ataca diretamente o alvo enquanto outro registra, à distância, a confirmação do impacto.

Especialistas avaliam que o Hezbollah vem aprendendo rapidamente. Segundo analistas, a combinação entre baixo custo, facilidade de montagem e elevada capacidade destrutiva oferece ao grupo uma alternativa doméstica eficiente em um momento de restrição logística e financeira.

Israel reavalia estratégias

O impacto estratégico é significativo. A ameaça desses drones levou Israel a reavaliar a profundidade da zona de segurança que mantém no sul do Líbano. Como os equipamentos podem percorrer dezenas de quilômetros, a distância considerada suficiente para proteger tropas e comunidades no norte israelense passou a ser questionada.

Os sistemas de defesa mais conhecidos de Israel, como o Domo de Ferro, não foram projetados para lidar com alvos tão pequenos e ágeis. Em diversos vídeos divulgados, soldados aparecem tentando derrubar os drones com armas individuais, o que evidencia a dificuldade de reação em tempo hábil.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou ter determinado a criação de um projeto especial para enfrentar a ameaça. Segundo ele, o desenvolvimento de soluções levará tempo, mas já está em andamento.

O exército israelense também anunciou medidas para ampliar sua própria capacidade de produção de drones suicidas. A expectativa é fabricar milhares de unidades por mês em um primeiro momento, com planos de aumentar esse volume para dezenas de milhares posteriormente.

Entre as tecnologias estudadas para neutralizar os aparelhos estão mísseis guiados por laser, redes de captura, barreiras físicas, feixes de micro-ondas capazes de danificar componentes eletrônicos e até a dispersão de tinta no ar para bloquear a visão das câmeras.

Apesar dessas alternativas, especialistas ressaltam que não existe uma solução única. O desafio não está restrito à fibra óptica, mas à rápida adaptação tecnológica dos grupos armados, que podem empregar no futuro redes celulares, sistemas criptografados ou até conexões via satélite.

Para pesquisadores israelenses, os drones não alteram sozinhos o equilíbrio militar, mas representam uma ameaça real e letal. Em guerras assimétricas, ferramentas de baixo custo podem causar danos relevantes e obrigar forças mais poderosas a investir recursos consideráveis em defesa.

Vídeos são usados como propaganda

Além do efeito tático, os vídeos gravados pelas câmeras embarcadas se tornaram instrumentos de propaganda. O Hezbollah tem divulgado montagens com imagens de ataques acompanhadas por música e simbolismos, reforçando a mensagem de desgaste gradual do adversário.

Na avaliação de especialistas e ex-militares libaneses, o objetivo da guerrilha não é uma vitória rápida, mas a erosão constante da capacidade e da disposição do inimigo em manter sua presença na região.

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