Egito determina prisão de líderes da Irmandade Muçulmana
Internacional|Do R7
Por Maggie Fick e Alexander Dziadosz
CAIRO, 10 Jul (Reuters) - Promotores egípcios determinaram na quarta-feira a prisão dos líderes da Irmandade Muçulmana, grupo político do presidente deposto Mohamed Mursi, acusando-os de incitar à violência em um confronto no qual militares mataram a tiros dezenas de seguidores da Irmandade.
Uma semana depois de os militares deporem o primeiro presidente democraticamente eleito do país, e dois dias depois do violento confronto em frente a um quartel da Guarda Republicana, o Egito vive a sua maior polarização na história moderna.
Gehad El Haddad, porta-voz da Irmandade, disse que as autoridades, ao anunciarem as acusações contra Mohamed Badie e outros dirigentes, querem desmantelar a vigília montada por milhares de partidários que exigem a restauração do mandato de Mursi.
Os distúrbios dos últimos dias alarmaram doadores ocidentais e o vizinho Israel. Os Estados Unidos, adotando uma posição cautelosa, não celebraram a deposição de Mursi, mas também não a descreveram como um "golpe", o que acarretaria a suspensão de um auxílio militar anual de 1,3 bilhão de dólares dos EUA para o Egito.
Por outro lado, a deposição da Irmandade foi muito bem recebida por três monarquias ricas do golfo Pérsico, que despejaram doações para impulsionar a recuperação da combalida economia egípcia.
O Kuwait prometeu na quarta-feira 4 bilhões de dólares em doações, empréstimos e combustível. Na véspera, Arábia Saudita e Emirados Árabes já haviam oferecido respectivamente 5 e 3 bilhões de dólares.
Os líderes da Irmandade foram acusados de incitar à violência no confronto de segunda-feira, iniciado antes do amanhecer, quando a Irmandade diz que seus seguidores estavam rezando pacificamente. O Exército alega que terroristas atacaram os soldados e provocaram a reação.
Segundo fontes de segurança, 57 pessoas morreram, incluindo 53 manifestantes e 4 membros das forças de segurança.
Haddad disse que os líderes da Irmandade não foram presos, e que alguns participam da vigília na mesquita de Rabaa Addawiya. As acusações contra eles "não são nada mais do que uma tentativa da polícia do Estado de desmantelar o protesto de Rabaa".
"Num Estado policial", prosseguiu o porta-voz, "quando as forças policiais são criminosas, o Judiciário é de traidores, e os investigadores são os que fabricam provas, o que se pode fazer?".
Além de determinar a prisão de Badie e outros três dirigentes, a promotoria ordenou que 206 ativistas da Irmandade presos depois do confronto de segunda-feira passem mais 15 dias sob custódia. Outros 464 ativistas detidos foram soltos, pagando uma fiança de aproximadamente 300 dólares cada.












