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Em Israel, Obama defende Palestina mas apoia reação de Jerusalém a ameaças

Internacional|Do R7

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Daniela Brik. Jerusalém, 21 mar (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, incentivou nesta quinta-feira os jovens israelenses a tomarem as rédeas de seu destino, criticou os assentamentos judaicos e afirmou que "a paz é possível". Em seu discurso para cerca de 600 estudantes israelenses em Jerusalém, Obama afirmou que a paz é o "único caminho para a segurança" de Israel, que deve "ser alcançada entre povos, e não apenas governos" e que o direito de "autodeterminação e da justiça" do povo palestino precisa ser reconhecido. Com suas palavras, arrancou aplausos e ovações de um público ávido para escutar o que muitos analistas previram que seria seu principal discurso em sua primeira visita como inquilino da Casa Branca a Israel e à Palestina. Obama se referiu várias vezes aos estreitos laços que unem as duas nações, ao defender que Israel seja reconhecido como Estado judeu, ressaltar com veemência o direito de Israel a se defender diante das ameaças e demonstrar empatia pelos israelenses que mais sofrem, como as crianças que não dormem à noite nos arredores de Gaza. Ao mesmo tempo, no entanto, usou termos pouco comuns na boca de presidentes americanos diante de um público israelense tais como "ocupação", "expulsão", "despejo de famílias palestinas de seus lares" ou que a violência contra os palestinos "não seja castigada", em alusão aos ataques de colonos e radicais judeus. "Os israelenses devem reconhecer que a contínua atividade de assentamentos é contraproducente com a causa da paz e que um Estado palestino independente deve ser viável, que devem ser traçadas fronteiras reais", opinou. Essas manifestações foram recebidas entre mostras de admiração e aplausos, embora em certo momento do discurso, Obama tenha sido interrompido por um jovem que se alterou e lhe fez várias críticas aos gritos, sendo logo retirado do local pelos agentes de segurança. Obama estimulou o mundo árabe a "adotar medidas destinadas à normalização" com o Estado judeu e observou que, "dada a frustração da comunidade internacional, Israel deve dar a volta e vencer o isolamento". Na sua opinião, o panorama em transformação do Oriente Médio, onde as revoltas árabes expulsaram os dirigentes autocráticos, é precisamente o cenário em que Israel deve tentar chegar à paz com seus vizinhos. A conferência em Jerusalém de hoje tinha como antessala o conhecido discurso pronunciado no Cairo há quatro anos, que foi considerado uma aproximação do mundo árabe e muçulmano, ao que seguiram as críticas a Obama durante seu primeiro mandato por passar como ingênuo ao tentar resolver o conflito palestino-israelense. Desta vez, no entanto, o enfoque parece ser diferente e menos pretensioso. Assim, Obama optou por uma linguagem clara, como gosta de usar com os jovens, cujo "entusiasmo" disse que admira, tirou o armadura do formalismo político e buscou falar direto ao coração. "Calcem os sapatos (ponham-se no lugar) deles, olhem para o mundo com os olhos deles. Não é justo que uma criança palestina não possa crescer em um Estado próprio e que viva com a presença de um exército estrangeiro que controla os movimentos de seus pais a cada dia", propôs Obama, para ressaltar que "nem a ocupação nem a expulsão são a resposta". Além disso, pediu que os israelenses admitam que, "assim como os israelenses construíram um Estado em sua pátria, os palestinos têm direito a ser um povo livre em sua terra". Também reafirmou seu apoio ao presidente palestino, Mahmoud Abbas, e ao primeiro-ministro, Salam Fayyad, os quais classificou como "verdadeiros parceiros" para a paz, que construíram instituições e garantiram a segurança de Israel. Paralelamente, o líder defendeu a postura israelense de não negociar com aqueles que atuam pela destruição de Israel. "A paz é possível (...). Há uma oportunidade, há uma janela", disse e pediu a pressionar aos dirigentes a trabalhar por ela. "Como político, posso garantir a vocês que os líderes políticos não correrão riscos se o povo não reivindicar que façam isso: vocês devem criar a mudança que querem ver", advertiu. O presidente americano citou o fundador do Estado de Israel, David Ben Gurion, que pregava que "em Israel, para ser um realista, se deve crer nos milagres. Às vezes, o maior milagre é reconhecer que o mundo pode mudar. Depois de tudo, esta é uma lição que o mundo aprendeu com o povo judeu". EFE db/tr (foto)

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