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Empresários árabes e brasileiros usam Facebook para salvar sírios da guerra

Grupo independente ajuda refugiados a vir para o Brasil

Internacional|Do R7*

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Amer Masarani, porta-voz do grupo, faz grande parte da articulação pelo Facebook
Amer Masarani, porta-voz do grupo, faz grande parte da articulação pelo Facebook

Mohammed desembarcou no Brasil em junho deste ano para começar uma nova vida. Sem falar português e deixando para trás a ex-mulher e dois filhos, ele chegou ao País com uma mala cheia de roupas, alguns objetos pessoais e um bocado de medo. Mohammed não veio a passeio, mas sim para não morrer em sua terra.

Ele é um dos refugiados sírios que vieram para o Brasil com o agravamento da guerra civil em seu país. Aos 53 anos, Mohammed resolveu atravessar meio mundo após ver sua casa destruída em Homs, sua cidade natal e uma das mais afetadas pelo conflito que já dura 18 meses.

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Desde março de 2011, tropas do regime do ditador Bashar al Assad enfrentam uma revolta popular que, em poucos meses, se converteu em uma força armada rebelde que tenta derrubá-lo do poder. Mais de 25 mil pessoas já morreram, segundo opositores.

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Hoje, Mohammed divide um apartamento pequeno alugado no Brás, no centro de São Paulo, com mais dois refugiados sírios. Os poucos objetos que eles conseguiram trazer se misturam com móveis improvisados e com a incerteza do futuro longe de casa.

E para fazer de São Paulo sua terra, refugiados sírios como Mohammed contam com o apoio de um grupo de empresários árabe-brasileiros da cidade que estão driblando a burocracia estatal para trazer para cá o maior número possível de sírios.

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A Coordenação da Revolução Síria no Brasil, como o grupo se autodenomina, já retirou por conta própria nove pessoas do território sírio, entre homens, mulheres e crianças, alguns deles vítimas de tortura. Eles recebem ajuda com passagens, trâmites para o visto de refugiado e a recepção no Brasil.

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Moradia e emprego em São Paulo

Quando não ajudam com a viagem de avião, a rede se articula para facilitar a integração dos sírios que chegam ao País por conta própria, como é o caso de Mohammed.

Na capital paulista, o grupo apoia hoje 25 sírios com moradia e, muitas vezes, emprego. Esse número é quase a metade de todos os refugiados sírios regulares no Brasil, que chega a 60, segundo o Acnur (Agência da ONU para Refugiados).

Um dos fundadores do grupo e seu principal porta-voz é Amer Masarani, sírio que mora no Brasil há 15 anos, onde se casou e tem três filhos.

Dono de uma loja de roupas no Bom Retiro, o trabalho de Masarani é conversar com os sírios já estabelecidos no Brasil, levantar recursos, organizar a vinda dos refugiados e tentar ajudá-los com passagens aéreas, documentos e vistos.

A maior parte de seu trabalho é feito por uma página na rede social Facebook. Muitos brasileiros que conhecem o grupo oferecem moradia, comida, emprego ou qualquer outro tipo de ajuda.

— Tem gente que oferece 1 kg de feijão, tem gente que fala “posso dar uma geladeira”, tem gente que oferece uma cama.

Como a maioria dos refugiados não fala português, a procura por um emprego no Brasil fica muito difícil. Masarani conta que contratou um dos refugiados como motorista de sua família.

— Outra pessoa, um amigo nosso, colocamos para fazer pacotes de mercadorias [em uma loja de roupas].

Os dois últimos refugiados que o grupo conseguiu tirar da guerra desembarcaram no aeroporto internacional de Guarulhos, em São Paulo, no último dia 13 de setembro.

Os dois recém-chegados — uma mulher de 49 anos e um jovem de 27 — são a ex-mulher e um dos seis filhos de Mohammed.

Nenhum dos membros da família de Mohammed — inclusive ele — permitiu que seus nomes verdadeiros fossem divulgados.

Mesmo no Brasil, o medo ainda mora com a família, que ficou ainda mais abalada porque o filho que acaba de chegar foi recentemente torturado — teve seis unhas das mãos arrancadas

Além dos três filhos que estão no Brasil e outros dois que foram para a França, Mohammed ainda tem uma filha. A jovem decidiu permanecer na Síria, onde vive com o marido e os filhos, em meio à guerra.

* Giovanna Arruda, estagiária do R7

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