Espanha sai da recessão, mas ainda enfrenta o fantasma do desemprego
Melhora espanhola foi puxada pela exportações, mas país ainda espera pelo consumo interno
Internacional|, com EFE e R7

A Espanha saiu timidamente da recessão no terceiro trimestre, com um crescimento mínimo de 0,1%. Apesar da boa notícia, os espanhois sabem que ainda têm pela frente outros desafios, como a política de austeridade e a elevada taxa de desemprego — que prejudica a demanda interna e mina o crescimento.
A quarta economia da Eurozona registrou um crescimento de 0,1% de seu Produto Interno Bruto (PIB), segundo os números provisórios divulgados na quarta-feira (30) pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE).
Duplamente atingido em 2008 pela explosão de sua bolha imobiliária e pela crise financeira internacional, o país caiu em 2011 em sua segunda recessão em cinco anos.
Esta tímida saída da recessão foi sustentada pela contribuição positiva das exportações, embora esta recuperação continue sendo comprometida por uma demanda interna muito fraca, explicou o INE.
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Apesar da retomada do crescimento, a taxa de desemprego se mantém como uma das mais altas da Eurozona, atrás da Grécia, com 25,98% no terceiro trimestre, que chega a 54,39% entre os jovens.
Foco das tensões em 2012, em meio à probabilidade de um resgate total de sua economia depois do realizado em seu setor bancário, a Espanha desfruta nos últimos meses de alguma tranquilidade nos mercados, em parte sustentada por indicadores macroeconômicos que melhoram aos poucos.
Aproveitando o dinamismo de suas exportações, que teve seu volume aumentado para 6,6% entre janeiro e agosto, o déficit comercial da Espanha se atenuou nesse período, caindo 64,1%.
"O pior já passou" em termos de recessão, afirma Rafael Pampillon, diretor do departamento de análises econômicas da escola de comércio IE Business School.
Em sua opinião, o retorno ao crescimento "se baseia em bases muito sólidas", especialmente pelas exportações que crescem "graças a uma economia mais competitiva do que antes da crise", com custos trabalhistas mais baixos.
À espera do aumento do consumo
"As investigações sugerem, de maneira esperançosa, que o sólido comportamento recente da Espanha quanto às exportações continuará no curto prazo", afirma Ben May, economista da empresa de análises Capital Economics.
— Mas a queda dos salários, o fraco crescimento do emprego, no melhor dos casos, e o estado lamentável das finanças das famílias sugerem que o aumento do consumo familiar ainda pode estar distante. Já as difíceis condições para obter crédito podem frear os investimentos.
Profundamente debilitados por sua exposição ao setor imobiliário atingido em 2008, os bancos espanhóis que receberam um resgate europeu de 41,3 bilhões de euros em 2012 permanecem muito cautelosos, mais concentrados em gerar receitas do que em financiar a economia.
Embora comemorem a saída da recessão, os analistas da empresa Renta 5 afirmam que ela "ocorre devido a uma força maior da demanda externa, enquanto a demanda interna segue muito deprimida e drenando o crescimento" em um país afundado em um esforço de austeridade para economizar 150 bilhões de euros entre 2012 e 2014.
Para o conjunto do ano, o governo conservador prevê um retrocesso de 1,3% do PIB, em leve melhoria em relação a 2012, quando caiu 1,6%. Em 2014 é esperada uma frágil recuperação de 0,7%.
"Um sinal desta fraqueza" da demanda interna é o retrocesso da inflação, afirmam os analistas da Renta 4.
Mortalidade
Um estudo publicado ontem pela Organização Mundial de Saúde (OMS) apontou que o desemprego na Espanha "é uma emergência sanitária".
Segundo Michael Marmot, diretor do Instituto de Igualdade Sanitária da University College de Londres, se o problema não for resolvido, terá consequências para futuras gerações.
Marmot ressaltou que o governo espanhol deve introduzir medidas de proteção social para evitar a deterioração da geração jovem, que enfrenta o risco de problemas mentais e uma taxa de mortalidade mais alta.
— É urgente promulgar políticas econômicas e sociais que deem a estas pessoas um futuro.







