"Estão nos tirando o amor de nossos filhos", diz mãe de jovem de Ayotzinapa
Internacional|Do R7
Austin (EUA), 19 mar (EFE).- Passados seis meses desde o desaparecimento dos 43 estudantes de Ayotzinapa, no sul do México, os pais ainda esperam vê-los com vida e, por isso, participam de uma caravana pelos Estados Unidos. "Eles (o governo) estão nos tirando o amor de nossos filhos. Meu filho é muito bom", afirma em entrevista à Agência Efe María de Jesús Tlatempa, mãe de José Eduardo, um dos 43 desaparecidos. José Eduardo tinha 18 anos quando desapareceu e agora tem 19, conta a mãe, que não acredita que seu filho esteja morto, como defende o governo mexicano. "É pura mentira o que eles dizem. Acreditamos que os militares estão escondendo os meninos para que trabalhem para eles", argumenta. Contudo, as autoridades mantêm a versão de que membros do cartel Guerreros Unidos, em uma macabra aliança com policiais corruptos, assassinaram e incineraram os estudantes em um lixão de Cocula, no estado de Guerrero. María esteve hoje em Austin, a capital do Texas, no marco da "Caravana 43", uma viagem que começou na segunda-feira passada e com a qual pais e amigos dos adolescentes irão percorrer, durante mais de um mês, 43 cidades americanas. Em Austin, a caravana visitou o Capitólio do Texas, onde se reuniu com o representante democrata Lloyd Doggett, que apresentará uma resolução em apoio às famílias dos estudantes na legislatura estadual. José Eduardo é o mais velho de três irmãos: "Ele sabe fazer as tarefas de casa. Sabe passar, lavar. Cuidou dos irmãos menores. Dava almoço e ajudava no estudo", destaca. A mãe lembra que desde pequeno já seu filho já queria ser professor. "Ficava fascinado ao passar na porta da Escola Normal Rural Isidro Buergos quando era criança", recorda María, que revela que o marido jamais conseguiu estudar e, por isso, José Eduardo se tornou um orgulho para os pais. Com esta viagem pelos Estados Unidos, o grupo pretende divulgar o caso entre a comunidade local e convencer organizações, como a Anistia Internacional, e instituições, como a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), a intervirem na investigação do caso. Eles também promovem protestos quando passam por consulados do México pelo país, para reforçar a responsabilidade que consideram que o Estado tem. "As instituições dos Estados Unidos podem nos ajudar. Podem dizer ao presidente Enrique Peña Nieto que nos entregue nossos filhos. Podem exigir e investigar", acredita María. Como mãe, ela sonha todos os dias com o retorno de seu filho, desaparecido com os demais alunos em 26 de setembro. A "Caravana 43" começou no Texas e de lá se dividiu em três rotas distintas que percorrerão as cidades dos principais estados das costas leste e oeste. EFE at/cdr (foto)









