EUA interceptaram milhares de e-mails de americanos até 2011
Internacional|Do R7
Washington, 21 ago (EFE).- A Agência de Segurança Nacional (NSA) dos Estados Unidos recopilou anualmente cerca de 56 mil e-mails de americanos sem laços com o terrorismo entre 2008 e 2011, quando uma corte secreta ordenou suspender esse programa, segundo documentos de inteligência revelados nesta quarta-feira. O escritório do Diretor Nacional de Inteligência (DNI), James Clapper, publicou um documento judicial de 86 páginas que detalha como a NSA interceptava dados que violavam a privacidade de pessoas sem relação com o terrorismo, o que levou à agência a mudar a forma como colhe informação eletrônica. Sob o extinto programa, a NSA desviava grandes volumes de dados internacionais que passavam por cabos de fibra óptica nos EUA em armazenamento temporário para selecionar só as comunicações estrangeiras, mas na prática, a agência não conseguia filtrar as conversas entre americanos. A NSA recopilava entre 20 e 25 milhões de e-mails por ano através desse programa, e cerca de 56 mil eram "completamente domésticos", ou seja, enviados por americanos ou residentes nos Estados Unidos sem conexão com o terrorismo. A corte criada pela Lei de Vigilância de Inteligência Estrangeira (Fisa) e encarregada de autorizar e supervisionar a atividade da NSA declarou o programa inconstitucional em 2011. "A aquisição desse tipo de comunicações, improváveis de ter valor de inteligência, obviamente não ajuda o objetivo do governo de 'obter, produzir e disseminar informação de inteligência estrangeira'", avaliou o juiz John D. Tacos, da Corte Fisa, no documento revelado hoje. Tacos questionou a adequação desses procedimentos à Quarta Emenda da Constituição de EUA, que proíbe a vigilância injustificada dos cidadãos do país. Segundo funcionários de inteligência citados pelo jornal "Washington Post", foi a própria NSA que alertou à corte do erro e, um mês depois de o juiz analisar o caso, a agência revisou seus procedimentos para excluir as transações que provavelmente conteriam comunicações de americanos. Em 2012, além disso, a NSA apagou todos os e-mails de americanos que tinha recopilado com esse método. "Isto não foi, em nenhum aspecto, uma violação proposital ou em grande escala da privacidade de pessoas americanas", afirmou o assessor geral do escritório do DNI, Robert S. Litt III, de acordo com o "Post". O documento judicial foi divulgado junto a outros relatórios divulgados em um novo site (http:// icontherecord.tumblr.com) criado hoje pelo escritório do DNI para aumentar a transparência sobre os programas de espionagem de EUA, revelados pelo vazamento do ex-técnico da CIA, Edward Snowden. O presidente dos EUA, Barack Obama, contou no dia 9 de agosto sobre a criação do site e explicou que ele é para que "os americanos e o mundo aprendam mais sobre o que nossa comunidade de inteligência faz e o que não, e porquê". O programa da NSA encerrado em 2011 é diferente do conhecido como PRISM, um dos primeiros divulgados por Snowden e que não se dá através dos cabos de fibra óptica, mas por meio de dados proporcionados pelos servidores de internet, como Google e Microsoft. EFE llb/cd/rsd












