Ex-ditador egípcio Hosni Mubarak é solto e levado para hospital militar
Após ser condenado à perpétua em 2012, decisão foi anulada e novo julgamento será realizado
Internacional|Do R7

O ex-presidente egípcio Hosni Mubarak saiu nesta quinta-feira (22) da prisão de Tora, no sul do Cairo, em um helicóptero que o levou para o hospital militar de Maadi, também no sul da capital, informaram fontes da segurança do país.
O ex-ditador, que comandou o Egito entre 1981 e 2011, saiu da prisão em um helicóptero direto a um hospital militar. Ele recebeu o apoio de um pequeno grupo de seguidores, que aguardavam sua soltura do lado de fora da penitenciária.
Mubarak, de 85 anos, foi preso após uma rebelião popular em 2011, que foi parte da chamada Primavera Árabe e que encerrou seu governo de três décadas.
Ele responde na Justiça por quatro processos: um pela cumplicidade na morte de centenas de manifestantes, na revolução de 2011, além de outros três por envolvimento em casos de corrupção.
Em 2012, ele chegou a ser condenado à prisão perpétua, junto a seu ex-Ministro do Interior, por não ter impedido a morte dos manifestantes. Mas os recursos da defesa e promotoria farão com que o julgamento seja repetido.
Na quarta-feira (21), uma corte egípcia concedeu-lhe liberdade provisória para a acusação de receber anualmente presentes avaliados em milhões de libras egípcias das mãos do conglomerado de instituições jornalísticas estatais Al Ahram.
Como ele já tinha obtido a liberdade provisória em todos os outros casos em que é réu — e como a lei egípcia permite a prisão preventiva por apenas dois anos —, um tribunal penal do Cairo determinou sua libertação provisória.
Pouco depois, o primeiro-ministro egípcio, Hazem el Beblaui, na condição de vice-governador militar, emitiu ontem à noite um decreto para pôr Mubarak em prisão domiciliar "no marco do estado de emergência" que está em vigor no país em função da recente onda de violência.
Ainda que uma das acusações de corrupção seja arquivada, como informa a imprensa local, Mubarak ainda voltará ao banco de réus para os demais julgamentos.
A libertação de Mubarak deve causar ainda mais agitação no mais populoso país árabe, onde mais de 900 pessoas morreram, incluindo cem policiais e soldados, desde que as forças do governo provisório dissolveram com violência dois acampamentos de partidários de Mohamed Mursi no Cairo, na semana passada, provocando uma escalada de violência no país.
Segundo a emissora Al Jazeera, do Qatar, grupos contrários a Mubarak já convocaram manifestações para a sexta-feira (23) contra a sua soltura.
Os protestos poderão coincidir com as manifestações dos islamitas da Irmandade Muçulmana, que também prometem sair às ruas amanhã para continuar pedindo o retorno de Mursi ao poder, presidente eleito em 2012, mas que foi destituído por um golpe militar em 3 de julho passado.
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