Logo R7.com
RecordPlus

Um morto e mais de 250 mil pessoas evacuadas na França e na Espanha em meio ao avanço dos incêndios florestais em direção às cidades

As autoridades espanholas confirmaram neste sábado (25) a morte de uma pessoa na cidade de Manises, em Valência

Internacional|Issy Ronald, Tim Lister e Anabella González, da CNN Internacional

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window

LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Mais de 250 mil pessoas foram evacuadas na França e na Espanha devido a incêndios florestais devastadores.
  • Na cidade de Manises, Valência, uma pessoa morreu em decorrência dos incêndios.
  • As condições meteorológicas adversas, como ventos fortes, têm acelerado a propagação do fogo.
  • A crise climática, com ondas de calor recordes, é apontada como fator agravante para os incêndios florestais.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Bombeiro trabalha no combate a um incêndio florestal em Andernos-les-Bains, no departamento de Gironda, na França Florion Goga/Reuters

Mais de 250 mil pessoas foram evacuadas de suas casas na França e na Espanha enquanto alguns dos piores incêndios florestais da história da Europa devastam o sudoeste do continente. As autoridades espanholas confirmaram neste sábado (25) a morte de uma pessoa na cidade de Manises, em Valência, em decorrência dos incêndios na região.

“Infelizmente, o incêndio tirou a vida de uma pessoa. A Prefeitura de Manises decreta dois dias de luto oficial, amanhã (domingo) e segunda-feira (27), em homenagem e agradecimento aos Bombeiros, à Proteção Civil, à Polícia e à Guarda Civil”, informou a Prefeitura de Manises em uma publicação na rede social X.


As autoridades detalharam que a propagação do fogo nessa cidade, localizada na costa leste da Espanha, ocorreu por volta do meio-dia deste sábado, no horário local, e foi extremamente rápida devido às condições meteorológicas adversas, com ventos entre 20 e 35 quilômetros por hora, de acordo com um comunicado divulgado nesta tarde.

Na capital espanhola, novas evacuações foram realizadas neste sábado. Isabel Díaz Ayuso, presidente da Comunidade de Madri, afirmou que as chamas afetam cerca de 50 mil pessoas na região. Até o momento, dez municípios foram evacuados, outros quatro permanecem confinados e pelo menos dez rodovias foram interditadas.


Ao comentar o incêndio, Ayuso classificou a situação como “totalmente inédita, nunca antes vista” no país e alertou que as condições podem piorar: “Isso nos leva a temer situações muito mais graves nas próximas horas”.

“Todos os recursos da região estão trabalhando sem descanso”, afirmou Ayuso, pedindo “compreensão e paciência” à população durante uma coletiva de imprensa na cidade madrilenha de Cenicientos.


O presidente do governo da Espanha, Pedro Sánchez, visitou neste sábado a área atingida pelos incêndios e afirmou que “temos uma janela de oportunidade neste fim de semana” para combater as chamas.

A etapa final da edição deste ano do Tour de France foi encurtada devido aos esforços concentrados no combate aos incêndios florestais no sudoeste da França, informaram os organizadores.


As autoridades francesas evacuaram neste sábado milhares de pessoas das áreas periféricas de Bordeaux — a sexta maior cidade do país —, um dia após mobilizarem embarcações para resgatar moradores da península vizinha de Cap Ferret, um popular destino turístico.

No entanto, segundo as autoridades, o incêndio que atinge a região de Gironda já não apresenta comportamento convectivo — o que significa que se propaga com menor velocidade —, embora continue sendo perigoso.

Mais de 167 mil pessoas foram evacuadas nessa região, enquanto outras 31 mil receberam ordem para deixar suas casas na vizinha região de Landes.

As autoridades francesas mobilizaram um grande avião militar de transporte adaptado para lançar grandes quantidades de retardante de chamas, a fim de reforçar as operações de combate ao fogo.

Pelo menos 27 bombeiros ficaram feridos durante o combate aos incêndios.

Em outras partes da Europa, que há semanas enfrenta intensas ondas de calor impulsionadas pelas mudanças climáticas, grandes incêndios florestais também atingem a Escócia e a Itália.

Dezenas de incêndios continuam ativos na Sicília, e as autoridades italianas mobilizaram milhares de soldados, informou a emissora pública RAI. No entanto, a maioria dos 344 incêndios registrados na quarta-feira já foi controlada. Além disso, mais de 160 incêndios florestais foram registrados nas últimas 24 horas na região da Calábria.

Nesse contexto, centenas de milhares de pessoas fugiram de suas casas — tanto na França quanto na Espanha —, muitas vezes durante a madrugada, após receberem alertas de emergência por mensagem de texto ordenando a evacuação.

“Todos estamos muito angustiados com a situação. Acabamos de sair de casa às pressas”, declarou à agência Reuters Vivien Molina, estudante de ciências ambientais de 19 anos, enquanto aguardava no trânsito após deixar sua residência em Saint-Aubin-de-Médoc.

“Estamos indo com nossos pais em dois carros para L’Espar porque, ao que parece, há muita gente nas estradas por lá, e todos estamos muito nervosos”, acrescentou.

Para outra moradora evacuada da cidade vizinha de Saint-Jean-d’Illac, a possibilidade de abandonar sua casa despertava o medo de jamais voltar a vê-la.

“Ontem, quando saí de casa, tive medo de nunca mais encontrá-la, embora o incêndio ainda nem tivesse começado”, disse à Reuters Olivia Correia Pereira, de 51 anos. “Mas essa sensação existe: as lembranças são tudo, e você perde tudo.”

Na noite deste sábado, as autoridades francesas ordenaram novas evacuações em diversas localidades do departamento de Gironda.

Um alerta enviado aos telefones celulares na França orientou os moradores de pelo menos cinco cidades a se deslocarem para Bordeaux, onde milhares de pessoas buscam abrigo enquanto os incêndios continuam avançando.

Centenas de milhares de pessoas já foram deslocadas em Gironda e no departamento vizinho de Landes. Horas antes, as autoridades informaram que cerca de 30 incêndios queimavam simultaneamente no sudoeste da França e que milhares de integrantes das equipes de emergência haviam sido mobilizados para combatê-los.

Esses incêndios florestais estão sendo alimentados por ondas de calor recordes — provocadas pelas mudanças climáticas — que transformaram a vegetação em um verdadeiro barril de pólvora.

A crise climática está tornando o clima mais quente e seco, criando condições para temporadas de incêndios cada vez mais severas ao ressecar a vegetação e reduzir os níveis de água em rios, lagos e no solo.

As intensas ondas de calor recordes — conhecidas como “domos de calor” — que atingiram a Europa no início deste verão teriam sido “praticamente impossíveis” sem a crise climática provocada pela atividade humana, segundo uma análise da organização World Weather Attribution.

Os domos de calor são extensas áreas de alta pressão que funcionam como uma tampa na atmosfera, retendo o calor e impedindo a formação de nuvens e de chuvas devido ao ar descendente. Esse fenômeno já provocou milhares de mortes adicionais apenas na Europa.

A Europa é o continente que aquece mais rapidamente no mundo e registra um aumento de temperatura duas vezes superior à média global desde a década de 1980, de acordo com o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, da União Europeia.

“A mudança climática é uma ameaça presente e será cada vez mais difícil ignorá-la à medida que seus impactos aumentarem”, afirmou Zachary Labe, cientista climático da organização sem fins lucrativos Climate Central. “A queima de combustíveis fósseis já está causando impactos claros e significativos nas comunidades, e não precisamos esperar até 2050 ou 2100 para ver as consequências.”

Search Box

Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da RECORD, no WhatsApp

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.