Execução de adolescente em Aleppo gera polêmica na Síria
Internacional|Do R7
Cairo, 10 jun (EFE).- A execução de um adolescente em Aleppo, supostamente por combatentes islamitas, despertou nesta segunda-feira e confusão sobre quem foi o autor do crime e polêmica com as promessas da oposição síria de que todos os crimes de guerra e as violações de direitos humanos serão julgados. O caso ocorreu no sábado e ontem o Observatório Sírio de Direitos Humanos denunciou que combatentes de uma brigada islamita dispararam contra o jovem Mohammed Qataa, de 14 anos, que teria insultado o profeta Maomé. A Coalizão Nacional Síria (CNFROS), maior grupo opositor, disse hoje que apesar da confusão, se o fato for confirmado, representa "um crime contra a humanidade e uma violação flagrante dos direitos humanos". Em comunicado, o grupo afirmou que "qualquer violação dos tratados internacionais e qualquer tipo de crimes de guerra serão transmitidos à Justiça seja qual for a parte que os cometa". Por outro lado, um dirigente de um grupo islamita de Aleppo, que pediu anonimato, explicou à Agência Efe que o caso está sendo investigado, embora duvide de que tenha sido cometido por combatentes islamitas. A fonte explicou que os combatentes islamitas em Aleppo entregam os detidos aos tribunais religiosos, que ditam suas sentenças de forma aberta e em lugares públicos. O dirigente disse ainda que, pelo estado de guerra, os tribunais religiosos aboliram a pena de morte salvo nos casos de traição. No entanto, o Observatório acusou hoje um tribunal ligado ao grupo Estado Islâmico no Iraque e do Levante, vinculado com a organização terrorista Al Qaeda, de cometer a execução. Esse "tribunal" é independente do sistema judiciário religioso unificado estabelecido em Aleppo pela maioria dos movimentos islamitas que atuam na cidade e seus subúrbios, acrescentou o grupo. O Observatório divulgou um vídeo com os testemunhos dos pais e do irmão pequeno da vítima, que narram o sucedido e acusam combatentes islamitas. O pai de Mohammed Qataa acusa três homens, possivelmente estrangeiros que falavam em árabe clássico, que segundo ele detiveram seu filho e depois atiraram no adolescente. De acordo com seu testemunho, estes homens escutaram uma briga entre Qataa e um homem, que desejava um café grátis. O adolescente disse que não daria o produto nem que Maomé estivesse presente, o que foi considerado um insulto ao profeta. A presença de combatentes extremistas em território sírio foi denunciada por diversos grupos e despertou temores do Ocidente, que alega que esta radicalização da oposição ocorreu perante a indecisão de armar aos rebeldes. EFE ms/dk












