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Falha de Cascádia: ‘rasgo’ em crosta e fluido que vaza no mar atrapalham sinais de terremoto

Sem tremores, cientistas mudam estratégia e começam a ‘escutar’ placas tectônicas que ameaçam as populações dos EUA e Canadá

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A Falha de Cascádia, de 1.000 km, apresenta desafios devido ao silêncio incomum e um vazamento de fluido no fundo do mar.
  • Cientistas mudaram a estratégia de monitoramento, utilizando ruído sísmico em vez de medir tremores que estão cada vez mais raros.
  • Estudos recentes indicam que o fluido pode influenciar a resposta da região a futuros terremotos, com chances de um evento devastador entre 10 a 15% nos próximos 50 anos.
  • Um terremoto significativo pode resultar em milhares de mortes e grandes danificações em infraestrutura, com eventos históricos ocorrendo a cada 300-500 anos.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Equipamentos mostram vazamento de fluido no fundo do mar
Terremoto devastador: fluido que brota do oceano é uma das pistas para tragédia anunciada nos EUA Reprodução/YouTube @KING5Seattle

A Falha de Cascádia, uma fenda geológica de 1.000 km que vai do Canadá ao norte da Califórnia (EUA), desafia os cientistas. O silêncio incomum, a descoberta de um novo “rasgo” na crosta e um vazamento ininterrupto de fluido do fundo do oceano fizeram pesquisadores americanos mudar a estratégia.

Em vez de medir os tremores, cada vez mais espaçados e raros no local (e comuns em outras zonas de subducção), os cientistas da Universidade de Washington, nos EUA, usaram o monitoramento de ruído sísmico do ambiente para entender o potencial de um terremoto e um tsunami devastadores.


A velocidade sístima é um termo usado para descrever a taxa na qual o ruído do ambiente se propaga por meio de um material.

A falta de tremores e a localização de Cascádia, a centenas de quilômetros de distância da costa e sob grande profundidade, prejudicam os pesquisadores na hora de entender o comportamento e estrutura das placas tectônicas.


“Um dos desafios da região é o silêncio. Por estar muito quieta, a gente não sabe onde e quão ativa está a fenda. Temos conhecimento de movimentação, monitorada por radares em terra, mas é muito difícil antever terremotos e eventos sísmicos só com isso”, admite o professor associado à Universidade de Washington Marine Denolle em entrevista ao canal KOIN 6.

Vazamento de fluido

Com base na nova metodologia, os cientistas detectaram diminuição na velocidade sísmica entre 2017 e 2022, o que foi associado ao vazamento de fluido do fundo do mar.


“A subducção espreme o líquido das rochas e o empurra em direção à superfície”, explicaram os estudiosos. “O estudo descobriu que outras falhas, perpendiculares à zona de subducção, podem servir como vias de escape para o fluido aprisionado.”

Os pesquisadores descobriram que o fluido pode influenciar a forma como a região reage a um terremoto.


“Durante uma ruptura de megadeslizamento, uma das formas de propagação de um terremoto é por meio da pressão do fluido. Se houver uma maneira de liberar esses fluidos, isso pode ajudar a melhorar a estabilidade da falha e, potencialmente, influenciar o comportamento da região durante um grande terremoto”, afirmou o líder do estudo, Maleen Kidiwela, que é estudante de doutorado em oceanografia na Universidade de Washington.

Terremoto letal e devastador

Mesmo com a inovação, a previsão dos cientistas americanos não mudou: há entre 10 e 15% de chances de um terremoto, com magnitude acima de 9 na escala Richter, atingir a costa americana nos próximos 50 anos.

“Os resultados do nosso estudo não alteraram essa probabilidade, mas a dinâmica observada pode influenciar a gravidade de um eventual terremoto”, explicou a Universidade de Washington.

O último terremoto devastador na falha de Cascádia, que teve magnitude entre 8,7 e 9,2 na escala Richter, ocorreu em 1700. Portanto, há 326 anos. Na época, tribos indígenas foram varridas da região noroeste dos EUA. Este tremor provocou um tsunami que chegou à costa do Japão.

Os cientistas sugerem que um novo abalo sísmico como este ocorre a cada 300-500 anos.

Quando ocorrer, os EUA já projetaram milhares de perdas de vidas, além de 1 milhão de desabrigados e destruição de pontes, estradas, viadutos, túneis, entre outros tipos de infraestrutura. Algumas áreas deverão ficar sem fornecimento de água e luz por meses.

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