Filipinas sofrem com os desastres naturais em 2013
Internacional|Do R7
Helen Cook. Manila, 23 dez (EFE).- Os habitantes do arquipélago das Filipinas sofreram em 2013 com diversas catástrofes, como vulcões em erupção, tufões, terremotos e naufrágios, deixando milhares de mortos, milhões de desabrigados e muitas perdas. Os incidentes começaram em 7 de maio, com a explosão do vulcão "Mayon", que lançou uma nuvem de cinza e rochas e causou a morte de uma turista espanhola, três alemães e o guia filipino do grupo que se encontrava perto da cratera. No mês seguinte, a tempestade tropical "Emong" lembrou aos filipinos que a estação de tufões havia começado e causou o deslocamento de cerca de 100 mil pessoas no sul do país. O tufão "Utor", a colisão de um navio com uma balsa e a tempestade tropical "Trami" que ocorreram em agosto deixaram um saldo de 138 mortos e dois milhões de deslocados. O fato de que a embarcação mercante implicada no naufrágio pertencesse à empresa Sulpicio Express, lembrou aos filipinos outro naufrágio, do "Dona Paz" em 1987, desta mesma companhia e no qual morreram 4.317 pessoas, o maior acidente da história da navegação comercial. Em outubro ocorreu um terremoto de magnitude 7,2 graus na escala Ritcher que sacudiu a região central do arquipélago e matou 215 pessoas, deixando 3,2 milhões de desabrigados. Quando o país ainda não havia se recomposto do destrutivo terremoto, foi assolado em 8 de novembro pelo tufão "Haiyan", o mais intenso dos registrados e que deixou localidades completamente devastadas e pelo menos 7.500 mortos e desaparecidos, assim como mais de quatro milhões de deslocados. O impacto do furacão, com ventos de mais de 300 km/h, teve tal envergadura que só foi possível divulgar as primeiras informações sobre a desvastação que tinha causado 36 horas após sua passagem, assim como sobre as milhares de pessoas que tinham morrido afogadas pelo aumento do nível do mar. As regiões mais danificadas foram as ilhas de Leyte e Samar, lar de mais de 3,6 milhões de pessoas que ficaram incomunicáveis. Os preparativos das autoridades foram em vão, como reconheceu à Agência Efe a coordenadora humanitária da ONU nas Filipinas, Luiza Carvalho, já que a alta da maré causada pelo tufão, que em algumas áreas chegou a ser de dez metros, arrasou tudo o que encontrou pela frente. Apesar da situação em Leyte e Samar, onde milhares de pessoas ficaram sem lar e não tinham acesso a alimentos e nem à água potável, e os corpos se acumulavam nas calçadas das poucas ruas transitáveis, a maioria da ajuda humanitária demorou mais de uma semana para chegar. "Honestamente, acho que ninguém esperava algo assim. Foi esmagador", afirmou Luiza em referência às várias críticas que a resposta humanitária recebeu ao desastre das Filipinas. Enquanto milhares de pessoas tentavam fugir da zona afetada por terra, mar e ar, as equipes de resgate filipinas e várias organizações de ajuda tentavam chegar aos desabrigados, mas o péssimo estado das infraestruturas, que tinham ficado muito danificadas, dificultou em grande medida as mudanças. "Estamos extremamente frustrados. Este é o sexto dia e até então não pudermos chegar a todos os desabrigados", declarou a chefe humanitária da ONU, Valerie Amos, em Tacloban, uma das localidades mais afetadas. O Governo foi muito criticado pela desorganização e pela lentidão na resposta, causada, segundo as autoridades, porque nos primeiros dias não conseguiam falar com os responsáveis da área mais afetada, que tinha ficado sem rede telefônica e sem eletricidade. A oposição filipina denunciou a falta de preparação das autoridades que deveriam contar com mais meios, levando em conta que entre 15 e 20 tufões passar todos os anos pelas Filipinas, embora em 2013 seu número tenha chegado a 25. Segundo um órgão de imprensa local, o "Rappler", o Conselho Nacional de Gestão e Redução de Risco de Desastres carece de telefones via satélite, tendas de campanha e geradores para quando ocorre uma catástrofe natural. Finalmente, e com o apoio dos militares americanos, agências nacionais e internacionais, e ONGs, conseguiram desdobrar nas áreas afetadas mais de 35.400 especialistas e voluntários, assim como 1.300 veículos, 112 embarcações e 162 aeronaves. No total, o "Haiyan" afetou mais de 11,2 milhões de pessoas, dos quais ao redor de 4,6 milhões foram deslocadas, e destruiu totalmente cerca de 600 mil imóveis. O Governo ainda reúne dados sobre os danos à agricultura e à infraestrutura, que chega, por enquanto, a mais de 35,2 bilhões de pesos (US$ 802 milhões). EFE hc/ff/ma











