General brasileiro no Congo revela desafio de combater ebola em país dominado por milícias
Comandante de missão da ONU no país africano, militar comenta detalhes da operação em entrevista exclusiva à RECORD NEWS
Internacional|Do R7, com RECORD NEWS
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A República Democrática do Congo tem sofrido nas últimas semanas com o surto da ebola. De acordo com o levantamento mais recente, 91 pessoas morreram pela doença e mais de 500 casos já foram registrados. Em Uganda, país vizinho, um óbito foi confirmado e outros pacientes estão em monitoramento.
Além disso, a segurança na região também tem sido precária. Cerca de 100 milícias armadas têm disputado o controle de territórios congoleses e provocado um quadro de violência extrema, com mortes e o deslocamento de milhões de civis.
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No programa Link News desta terça (9), o comandante das Forças da Monusco (Missão de Estabilização das Nações Unidas na República Democrática do Congo), general Ulisses de Mesquita Gomes, revelou detalhes da situação no país.
Ele explicou que a República Democrática do Congo é o segundo maior país da África e com a segunda maior floresta tropical do mundo, mas com uma rede precária de estradas, péssimo desenvolvimento humano, além de taxas de mortalidade e criminalidade altas. Segundo o general, os grupos armados praticam crimes como exploração sexual, assassinatos e até mesmo recrutamento de menores como soldados.
“O país possui duas províncias do leste que são consideradas zonas de guerra onde a gente se encontra [...] e exatamente numa dessas províncias onde a gente se encontra, a província de Ituri, foi onde começou esse surto de ebola [...] é uma nova cepa do vírus que se chama Bundibugyo, que não existe vacina”, disse o militar.
Segundo o comandante Gomes, a Missão de Paz da ONU está no Congo para proteger os civis. A respeito do ebola, a responsabilidade deles se dá pelo suporte logístico. Ou seja, eles auxiliam com transporte de medicamentos, materiais e equipamentos para as equipes tanto da OMS (Organização Mundial da Saúde), da Cruz Vermelha, Médicos Sem Fronteiras e outras organizações não governamentais que estão atuando no combate da doença, além das autoridades locais.
“É importante afirmar que os grupos armados não pararam de atuar e por isso que a Monusco tem que manter o seu papel de proteção de civis. A gente aumentou a nossa presença nas áreas ao redor de todos os postos de saúde e hospitais [...] já teve três ataques a postos de saúde contra as equipes médicas da OMS que estão trabalhando com essas pessoas infectadas”, enfatizou.
O general ainda ressaltou que há muito trabalho a ser feito na região, como eliminar as ações de grupos armados relacionados ao Estado Islâmico, que conduziram um ataque terrorista na semana passada na base onde ele atua no momento, em que 18 civis foram assassinados.
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