Governo alemão convoca embaixador dos EUA por espionagem da NSA
Internacional|Do R7
Berlim, 2 jul (EFE).- O governo da Alemanha convocou nesta quinta-feira o embaixador dos Estados Unidos em Berlim, John B. Emerson, após as revelações da plataforma Wikileaks sobre as supostas escutas da Agência Nacional de Segurança (NSA) ao Banco Central Europeu (BCE), à chanceler Angela Merkel e a vários ministérios. Segundo informações do jornal "Frankfurter Allgemeine Zeitung", que cita fontes governamentais, o ministro de Governo, Peter Altmaier, chamou o embaixador para pedir explicações, principalmente sobre o relatório de uma conversa telefônica de Merkel sobre a Grécia, em 2011. Vários meios de comunicação repercutiram hoje as novas revelações divulgadas pelo Wikileaks sobre as supostas escutas ao BCE e aos ministérios de Economia, Finanças e Agricultura, que se somam à espionagem ao telefone da chanceler. De acordo com essas informações, as escutas telefônicas começaram nos anos 90 e se centraram principalmente nos âmbitos econômico e comercial. Uma das linhas interceptadas era a utilizada por Oskar Lafontaine na época em que foi ministro de Finanças, cargo que ocupou entre 1998 e 1999, no começo da primeira legislatura da coalizão vermelha-verde liderada pelo chanceler Gerhard Schröder. Essa linha telefônica segue ativa e, atualmente, pertence à secretaria do Ministério das Finanças de Wolfgang Schäuble. As escutas ao BCE afetaram apenas uma linha da direção de desenvolvimento econômico. O jornal "Süddeutsche Zeitung" publica ainda o relatório da NSA sobre uma conversa que Merkel teve, em 9 de outubro de 2011, com um assistente não identificado, sobre a situação da Grécia e as diversas opções que se ventilavam nesse momento, na qual a chanceler mostrava suas dúvidas perante uma eventual quitação da dívida. O ministro do Interior, Thomas de Maizière, admitiu hoje, em entrevista à TV pública "ARD", que após as primeiras revelações sobre as escutas - incluindo o telefone de Merkel - a Alemanha ficou mais desconfiada sobre o trabalho dos serviços secretos de países ocidentais. Para o ministro da Economia e vice-chanceler alemão, Sigmar Gabriel, o principal problema reside na dúvida de se a NSA não espionou também empresas alemãs. A espionagem da NSA ao governo alemão está sendo investigada por uma comissão parlamentar cujo presidente, Patrick Sensburg, disse hoje, também em entrevista à "ARD", que está convencido que as escutas se prolongaram pelo menos até o final de 2012. As novas revelações do Wikileaks sobre a chamada "espionagem entre aliados", com a Alemanha como alvo, seguem às divulgadas alguns dias atrás sobre a França. O jornal "Libération" e o site "Médiapart" revelaram à epoca documentos obtidos pelo Wikileaks que demonstravam que os presidentes franceses Jacques Chirac, Nicolas Sarkozy e François Hollande foram objeto de escutas pelo menos desde 2006 até maio de 2012. EFE gc-rz/cdr












