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Governo da Colômbia e guerrilha avançam nas negociações de paz

Internacional|Do R7

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As negociações de paz entre o Governo da Colômbia e a guerrilha das Farc registraram avanços significativos em Havana com um maior consenso sobre os acordos relativos ao processo de desenvolvimento agrário, afirmou nesta sexta-feira o chefe da delegação oficial, Humberto de la Calle.

Os comentários foram feitos no início de um recesso nas negociações até 11 de março.


Segundo De la Calle, o consenso em torno dos acordos rurais é um dos objetivos centrais do governo. Ele enfatizou que o diálogo está num momento-chave, durante o qual são esperados resultados.

"Estes acordos no tema agrário nos permitirão continuar com a discussão sobre outros temas da agenda".


De la Calle destacou que "com as Farc passamos da fase de aproximação para a de acordos em torno do processo do desenvolvimento rural profundo, algo que faz parte dos propósitos centrais do governo".

"Em particular, avançamos na elaboração de programas e instrumentos de recuperação de terras em mãos ilegais e acesso por parte de pequenos agricultores que carecem delas ou as possuem de maneira insuficiente", explicou.


"Também abordamos a necessidade de se atualizar o cadastro rural e de se criar incentivos para uma melhor utilização do solo" nas conversações no Palácio de Convenções de Havana.

De la Calle reafirmou, no entanto, que o Exército e a Polícia manterão suas operações contra as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). A guerrilha propôs ao governo do presidente Juan Manuel Santos um cessar-fogo bilateral de dois meses, a partir de 20 de janeiro.


"Isto é duro, sabemos que alguns se confundem, mas manter as operações (militares) é um sinal de fortaleza do Estado, e não de debilidade", destacou De la Calle antes de viajar de Havana a Bogotá.

O chefe da delegação das Farc, Iván Márquez, estimou que o "ciclo de negociações terminou com progressos que traduzem bem a nossa vontade de paz...". "Estamos construindo um acordo que se aproxima hoje das cinco páginas (...). Jamais o processo de paz avançou tanto" na Colômbia, "sempre teremos dificuldades, mas vamos superá-las".

De la Calle destacou que as Farc estão dispostas a encarar suas vítimas e a se converter em um partido político.

"A delegação do governo quer ressaltar as manifestações dos negociadores das Farc de que vão encarar suas vítimas nesta transição entre a luta armada e a legalidade, algo fundamental para reconhecer e ressarcir o dano causado".

"Também destacamos a manifestação de que estão dispostos a se transformar em uma força política. Esperamos chegar com estes acordos a um cenário que leve ao fim do conflito".

Márquez reconheceu que as Farc estão dispostas a conversar com suas vítimas, mas destacou que "são vítimas dos conflito, sobre as quais o Estado tem responsabilidade por ação ou omissão.

O conflito armado na Colômbia, que envolveu ainda outras guerrilhas de esquerda, organizações paramilitares de direita e grupos de traficantes de drogas, deixou em meio século cerca de 600 mil mortos, 15 mil desaparecidos e mais de 3,5 milhões de deslocados.

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