Logo R7.com
RecordPlus

Governo iraquiano se prepara para grande ofensiva em Falluja

Cidade está sob controle de islamistas do Estados Islâmico do Iraque e do Levante, ligado à Al Qaeda

Internacional|Do R7

  • Google News
Homem armado patrulha estrada que liga Fallujah à capital Bagdá
Homem armado patrulha estrada que liga Fallujah à capital Bagdá

As forças de segurança iraquianas se preparam para uma "grande ofensiva" para retomar das mãos de combatentes ligados à Al Qaeda o controle da cidade de Fallujahh, 60 km a oeste de Bagdá.

As forças especiais já realizaram operações na cidade, e o Exército tenta cercar a localidade, permitindo que os habitantes deixem o local, indicou à AFP uma autoridade militar.


Os combatentes do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL, ligado à Al Qaeda), tomaram o controle de Fallujahh e de bairros de Ramadi, 50 km a oeste, aproveitando-se da retirada das forças de segurança após o desmantelamento de um acampamento de opositores sunitas que degenerou em conflitos.

Neste domingo (5), foram registrados combates esporádicos em Ramadi e nos arredores de Fallujah.


Esta é a primeira grande ação de jihadistas desde a invasão americana em 2003. As duas cidades se tornaram redutos da insurgência e as forças americanas sofreram no local suas maiores perdas desde a guerra no Vietnã.

Entenda os confrontos entre sunitas e xiitas no Iraque


Rebeldes sírios lançam ofensiva contra militantes da Al Qaeda

Ainda assim, o secretário de Estado americano John Kerry declarou neste domingo em Jerusalém que cabe às forças iraquianas combaterem os insurgentes.


— Os Estados Unidos irão continuar em contato estreito [com as autoridades de Bagdá], vamos ajudá-las em sua luta, mas é uma luta que, finalmente, terá que ser vencida por elas e eu tenho a certeza de que são capazes.

"Estamos muito, muito preocupados" com o aumento do poder do EIIL no Iraque, considerou Kerry. "São os personagens mais perigosos da região", acrescentou, evocando "sua barbárie e brutalidade".

Contudo, os últimos soldados americanos deixaram o Iraque há mais de dois anos e "nós não planejamos o envio de tropas", insistiu o secretário americano.

Ajuda iraniana ao Iraque

Por outro lado, o Irã anunciou estar disposto a fornecer equipamentos militares e assessoramento ao Iraque em sua luta contra a Al Qaeda, segundo afirmou neste domingo o sub-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas iranianas, o general Mohamad Hejazi.

"Se os iraquianos pedirem, nós forneceremos equipamentos e assessoramento, mas não homens", declarou o general, citado pela agência de notícias estatal IRNA.

Ele acrescentou que não houve um pedido de realização de operações conjuntas contra "os takfiris terroristas", um termo usado para descrever os combatentes extremistas sunitas da Al Qaeda.

EIIL toma o controle da cidade iraquiana de Falluja

EIIL reivindica ataque no Líbano que matou brasileira

O Irã xiita, ator regional de peso e um forte apoiador do regime do presidente Bashar al Assad, já enviou "conselheiros militares" à Síria, que faz fronteira com o Iraque, onde a guerra civil já dura quase três anos.

"Nós não iremos ceder"

Na Província de Al Anbar, da qual Ramadi é a capital, quatro forças estão presentes: as forças de segurança e seus aliados, o EIIL e as forças anti-governamentais do "Conselho Militar das Tribos".

Nesta manhã, combatentes do EIIL tomaram a cidade de Bubali, perto de Ramadi, após intensos combates, segundo testemunhas.

O comandante das forças terrestres, o general Ali Ghaidan Majid, declarou à AFP que 11 ativistas vindos do Afeganistão e de vários países árabes foram mortos na estrada que liga Bagdá e Fallujah.

E na capital, vários atentados fizeram ao menos 15 mortos e 40 feridos, segundo as autoridades.

Três atentados com carro-bomba e uma bomba colocada à beira da estrada atingiram três bairros de Bagdá.

Os combates entre insurgentes e as forças de segurança começaram na segunda-feira, em Ramadi, por causa do desmantelamento de um acampamento de opositores considerado um QG da Al Qaeda. A violência se propagou depois para Fallujahh.

A Província de maioria sunita de Al Anbar é, há um ano, o epicentro de uma contestação ao primeiro-ministro Nuri al Maliki, um xiita acusado de marginalizar os sunitas.

No momento, não se sabe exatamente o balanço total da violência que sacode as cidades a oeste de Bagdá, mas, segundo dirigentes, mais de 160 pessoas morreram apenas nos últimos dois dias.

O grupo ligado à rede extremista se tornou uma das principais forças no conflito na Síria, e continua a realizar inúmeros atentados no Iraque e ataques contra prisões.

"O EIIL conseguiu se aproveitar de suas redes e capacidades no Iraque para ter uma forte presença na Síria, e ele usou a sua presença na Síria para fortalecer suas posições no Iraque", considera Daniel Byman, especialista do Brookings Institution's Saban Center for Middle East Policy.

O ministério da Defesa iraquiano anunciou recentemente que fotos aéreas e informações dão a impressão de que os combatentes no Iraque tinham recebido armas e equipamentos modernos da Síria, e reconstruído campos antigos e destruídos no oeste de Al Anbar.

"Nós não vamos ceder enquanto não derrotarmos todos os grupos terroristas e salvarmos o nosso povo em Al Anbar", declarou no sábado o primeiro-ministro Nuri al-Maliki.

Em Fallujah, não há eletricidade. Temendo os combates, muitos moradores deixaram a cidade.

O que acontece no mundo passa por aqui

Moda, esportes, política, TV: as notícias mais quentes do dia

Veja as imagens do dia

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.