Grécia deve fazer mais para merecer resgate, dizem líderes da zona do euro
Angela Merkel afirma que a confiança foi perdida e não "haverá acordo a qualquer preço"
Internacional|Do R7

Líderes da zona do euro disseram a uma Grécia próxima da falência, em uma cúpula de emergência realizada neste domingo (12), que a confiança em Atenas deve ser restaurada antes que sejam abertas negociações sobre qualquer novo resgate financeiro para que o país permaneça na zona do euro.
Será exigido que o premiê esquerdista grego, Alexis Tsipras, pressione pela aprovação de uma nova legislação no Parlamento grego, de modo a convencer seus 18 países parceiros na zona do euro a liberarem imediatamente recursos para evitar a falência do Estado grego. Essa também será uma condição para o início das negociações sobre um terceiro programa de resgate financeiro.
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Seis medidas de austeridade, incluindo reformas fiscal e no sistema de pensões, vão precisar ser decretadas até a noite de quarta-feira e todo o pacote de resgate precisará ser apreciado pelo Parlamento antes que as negociações possam começar, de acordo com o texto de uma decisão preliminar enviada por ministros das Finanças do Eurogrupo aos líderes europeus.
O documento também inclui uma proposta da Alemanha para que a Grécia se retire temporariamente da zona do euro caso não consiga atender às condições para um novo empréstimo. Mas nem todos os ministros endossaram a ideia, que estava separada entre parênteses no texto visto pela Reuters.
Uma fonte de alto escalão da União Europeia disse que tal saída temporária do euro seria ilegal e não permaneceria no comunicado final da reunião de cúpula.
Tsipras disse ao chegar em Bruxelas que deseja “mais um compromisso honesto” para manter a Europa unida.
“Podemos alcançar um acordo esta noite se todas as partes quiserem”, disse ele.
Mas a chanceler alemã, Angela Merkel, cujo país é o maior contribuinte para os programas de resgate europeus, disse que as condições ainda não estavam postas para o início das negociações. Ela pareceu cautelosa em suas declarações, diante de uma oposição cada vez maior em seu país a uma maior ajuda à Grécia.
"O meio corrente mais valioso foi perdido, que é a confiança”, disse ela a jornalistas.
— Isso significa que vamos ter discussões difíceis e não haverá acordo a qualquer preço.
Se a Grécia atender às condições, o Parlamento alemão se reuniria na quinta-feira com Angela Merkel e o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schaeuble, para dar início aos debates sobre um novo empréstimo. Após isso, os ministros das Finanças do Eurogrupo se encontrariam novamente na sexta-feira ou no próximo fim de semana para começar formalmente as negociações com a Grécia.
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Um representante do governo grego, numa primeira reação ao texto preliminar das propostas europeias, disse: “Como eles podem exigir todas essas medidas no último minuto sem assegurar uma linha de sobrevivência para que atravessemos a próxima semana?”
Um representante europeu disse que uma reunião do Eurogrupo na segunda-feira pode debater maneiras de prover um financiamento emergencial para manter Atenas viva.
De acordo com a proposta preliminar da Europa, a Grécia precisa de 7 bilhões de euros até 20 de julho, quando deve fazer um resgate crucial de títulos junto ao Banco Central Europeu, e de mais 12 bilhões de euros até meados de agosto, quando vence outro pagamento ao BCE.
O documento não especifica como essas necessidades seriam atendidas, e representantes de países europeus disseram que os ministros das Finanças da Europa ainda não conseguiram chegar a um consenso sobre um financiamento emergencial.
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