Greve geral promete parar a Argentina e cancela voos para o país
Paralisação foi marcada para esta terça-feira (31) e atingirá várias categorias
Internacional|Do R7, com agências

Convocada pela Central de Trabalhadores da Argentina (CTA) e a Confederação Geral do Trabalho (CGT), uma greve geral prevista para esta terça-feira (31) promete parar a Argentina, em meio a um momento turbulento nas relações entre governo e centrais sindicais.
Inicialmente convocada pelo setor de transportes, já que as duas centrais sindicais concentram a maioria dos sindicatos do segmento, a paralisação irá atingir outras categorias, como médicos, bancários e de alimentação.
Metrôs, ônibus, trens, transporte fluvial, de carga e aviação comercial também não deverão funcionar. Voos internacionais deverão ser afetados. As companhias aéreas brasileiras Gol e TAM, cancelaram voos para várias cidades argentinas, como Buenos Aires e Rosário, e remanejar os passageiros para outras datas. A última greve deste porte no país ocorreu em agosto de 2014.
A exigência dos sindicalistas é a correção, por parte do governo, do limite de isenção do imposto sobre salários, que atualmente está em 15 mil pesos (R$ 5,5 mil, pelo câmbio oficial). Mas, segundo o ministro da Economia, Axel Kicillof, o teto foi reajustado há dois anos e que está “muito bem do jeito que está”.
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Já no fim de seu segundo mandato como presidente, Cristina Kirchner enfrenta a quarta greve geral convocada durante seus mandatos. A paralisação chega em um momento de pressão que aumentou sobre ela, principalmente desde a morte do promotor Alberto Nisman, que acusara o governo de entrar em acordo com o Irã para acobertar os culpados por atentado à Amia (Associação Mutual Israelita Argentina), em 1994.
O governo convive também com a inflação e com pressões dos sindicatos contra as estatísticas oficiais relativas ao aumento de preços. Em 2014, a Argentina registrou índice inflação de 24%, segundo dados oficiais, bem abaixo dos 39% de medições de institutos privados.
O líder da CTA, Pablo de Micheli, afirmou que os argentinos têm pelo menos “20 razões” para protestar (entre eles, o alto índice de inflação). Ele já adiantou que, caso não haja acordo, irá estender a paralisação para 36 horas.
Segundo os sindicalistas, o imposto progressivo sobre os salários têm alcançado um número cada vez maior de trabalhadores. É aplicado sobre os salários a partir de 15.000 pesos (aproximadamente US$ 1.700) em escalas progressivas que chegam a 35%.
No último fim de semana Kicillof ressaltou que o imposto não será modificado porque "afeta uma minoria que ganha mais", cerca de 850 mil trabalhadores dentro de um total de 11 milhões de assalariados, segundo estimativas oficiais.
A greve foi criticada também pelo ministro do Trabalho, Carlos Tomada, com argumento semelhante. Segundo ele, trata-se de apenas uma parte do setor de transportes que organiza o movimento, fazendo reivindicações para uma minoria de 10% que paga Imposto de Renda.
A TAM, em comunicado oficial, informou que irá cancelar 19 voos para os aeroportos de Buenos Aires (Aeroparque e Ezeiza), Córdoba, e Rosário (Ezeiza e Aeroparque). A Gol também informou que irá cancelar voos. Os clientes poderão alterar as datas nos próximos 15 dias, sem nenhum custo adicional.










