Interpretação radical do Islã facilita o terror, dizem especialistas
Segundo estudioso, cerca de 1% apenas dos islâmicos envereda para o terror; professor diz que radicalismo é mesmo motivado pela ignorância e pelo ódio
Internacional|Eugenio Goussinsky, do R7

Nos últimos anos, a questão do terrorismo internacional passou a ser uma das maiores preocupações da humanidade. Ataques a civis à luz do dia ou situações como emboscadas a militares foram, em grande parte, realizados por radicais islâmicos, cujos grupos assumiam a autoria das ações.
Leia mais: Da guerra à diplomacia, Irã avalia resposta a morte de Soleimani
A repetição desses acontecimentos acabou levantando uma questão, que passou a ser analisada por especialistas, com o objetivo de evitar generalizações.
Mas, para que eles chegassem a algum entendimento do tema, precisaram fazer uma pergunta inevitável: até que ponto uma interpretação distorcida do islamismo pode ser utilizada por esses radicais?
Na opinião de especialista no tema, Ariel Krok, que há mais de 20 anos participa de eventos pacifistas e interage com grupos inter-religiosos, apenas uma minoria dos fiéis islâmicos envereda para o terrorismo.
Mas há alguns fatos que devem ser levados em conta, ligados à questão da religião, que ainda é vista por esses radicais sob o prisma de tempos remotos. E isso tem dado margem para ações terroristas.
Para Krok, que é membro da JDCorps (Jewish Diplomatic Corp), o fato de que a grande maioria dos islâmicos não pratica atos de terrorismo, não significa que essa situação possa ser minimizada. Há pontos a serem esclarecidos.
"São cerca de 1,5 bilhão de muçulmanos no mundo. Na pior das hipóteses, 1% pratica o terrorismo. Deve ser até um pouco mais. Mesmo assim, se for 1%, seriam 15 milhões de terroristas, número similar ao da população judaica inteira no mundo. É um número significativo", destaca.
Ele ressalta ainda que a hostilidade aos que não seguem o islã também existe em uma minoria um pouco mais numerosa, de cerca de 25% a 35% em média, segundo ele diz, baseado em pesquisa da The Pew Research Center's Forum on Religion & Public Life.
"Nestes casos, mesmo não sendo terrorista, este tipo de fiel não se importa quando alguém é morto após ter sido acusado de quebrar a lei. Em um evento em Washington, conheci um iemenita que se refugiou nos Estados Unidos. Em uma conversa com um grupo de judeus, ele admitiu, que dois anos antes, não se importaria se algum de nós morrêssemos em um ataque, mesmo ele não pegando em armas. Ele mudou, foi resgatado de seu país pela AJC (American Jewish Committeee) e passou a conhecer melhor a situação."
Neste sentido, Krok é enfático.
"Essa hostilidade existe, mesmo nesta minoria, porque é uma visão passada pelas escolas, pelos pais aos filhos, e ainda continua sendo assim. Há muita falta de conhecimento neste sentido," comenta.
Para o professor Danilo Porfírio de Castro Vieira, presidente do setor de Liberdades Religiosas da OAB de Brasília, o radicalismo é mesmo motivado pela ignorância e pelo ódio. E, no atual contexto do Oriente Médio, revitalizou um discurso que, em muitos casos, une até sunitas e xiitas, grupos divergentes dentro do Islã.
"Esse radicalismo islâmico vai se aproveitando da instabilidade para retomar a retórica clássica do Ocidente imperialista que domina e oprime o Islã. É o velho discurso do Jihadismo dentro do que denomino a tentativa de uma guerra cósmica", afirma.
Ele acrescenta, porém, que por ser uma questão muito profunda, não se pode associar diretamente o islamismo ao terror.
Para ele, o Islã prima por uma variedade de características. Já de início, são duas leituras: a xiita (que valoriza mais os peritos do que os costumes, reconhecendo uma linhagem sanguínega para a sucessão de Alá) e a sunita, que destaca mais uma questão de costumes, destacando a questão da hierarquia política, com califados até a época do Império Otomano, e líderes escolhidos como se fossem guardiões.
"É preciso tomar cuidado. O Islã não pode ser visto apenas de um ângulo que só o associe a questões radicais. Há várias leituras. Mas, diante da ignorância, quem se aproveita da violência para disseminar o terror, agradece", completa.
Líder supremo do Irã comparece a funeral de Qassem Soleimani
O líder supremo do Irã, Ali Khamenei compareceu ao funeral do general Qassem Soleimani, morto em um ataque perto do aeroporto de Bagdá, no Iraque, na última quinta-feira (2). Soleimani foi morto a mando do presidente dos EUA, Donald Trump
O líder supremo do Irã, Ali Khamenei compareceu ao funeral do general Qassem Soleimani, morto em um ataque perto do aeroporto de Bagdá, no Iraque, na última quinta-feira (2). Soleimani foi morto a mando do presidente dos EUA, Donald Trump





















