Irã promete resistir à ampliação das sanções dos EUA e diz que Washington busca negociações
Governo americano afirma que vai dar um prazo para países cumprirem novas diretrizes
Internacional|Da Reuters
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O Irã denunciou nesta terça-feira (25) as sanções ampliadas dos Estados Unidos, destinadas a isolar sua economia, como um ato de “flagrante ilegalidade”, expressando confiança de que muitos países não se unirão à campanha de pressão.
Quase seis meses após o início de um conflito que os EUA têm dificuldade em resolver, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, divulgou as medidas na segunda-feira (24), mas evitou impor as sanções mais severas.
Embora tenha afirmado que os países que continuassem a negociar com o Irã corriam o risco de serem excluídos do sistema financeiro baseado no dólar, ele se recusou a fornecer um prazo ou identificar quais países poderiam ser alvo das medidas, dizendo que lhes daria tempo para cumprir a nova diretiva.
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Houve sinais de um possível retorno à mediação para pôr fim à guerra, que começou com ataques dos EUA e de Israel ao Irã e interrompeu a maior parte do tráfego marítimo no estreito de Ormuz, que antes era uma via de passagem para cerca de um quinto dos embarques globais de petróleo e gás natural liquefeito.
O Irã e Omã afirmaram ter discutido, nesta terça-feira, uma proposta para um “corredor de navegação temporário conjunto” pelo estreito e um plano para remover as minas do local.
O presidente dos EUA, Donald Trump, reiterou afirmações anteriores de que todas as minas no estreito haviam sido removidas ou detonadas, acrescentando que o Irã havia sido informado de que qualquer navio ou embarcação que colocasse novas minas seria destruída.
Irã promete retaliação se infraestrutura for ameaçada
O Ministério das Relações Exteriores do Irã descreveu as últimas sanções dos EUA como uma ameaça ao direito internacional e à Carta das Nações Unidas, afirmando em um comunicado que “a questão não se limita mais ao Irã”.
“Nenhum Estado honrado que valorize sua soberania e seus interesses nacionais aceitará a normalização de tal flagrante desrespeito à lei e intimidação sistemática”, afirmou.
O Departamento do Tesouro anunciou na segunda-feira novas sanções contra 60 pessoas físicas, entidades e embarcações, mas a lista não incluía nenhuma das instituições financeiras chinesas suspeitas de facilitar o comércio de petróleo do Irã.
“Queremos deixar claro aqui hoje que ninguém está acima do alcance das sanções dos EUA”, declarou Bessent em resposta a uma pergunta sobre bancos chineses.
A China tem sido a maior compradora de petróleo iraniano há vários anos, embora o bloqueio dos portos iranianos pelos EUA tenha reduzido o fluxo de petróleo iraniano para a China desde que Washington o renovou em meados de julho.
Trump afirmou que espera receber o presidente chinês, Xi Jinping, no próximo mês, e os EUA estão empenhados em evitar quaisquer restrições sobre as exportações chinesas de minerais essenciais.
A China afirmou nesta terça-feira que sua cooperação com o Irã é conduzida dentro da estrutura do direito internacional e não deve sofrer interferências.
O ministro da Economia iraniano, Ali Madanizadeh, disse que nem a China nem a Rússia haviam “aceitado” as medidas dos EUA, prevendo que outros países se oporiam a elas.
Não tem havido ataques significativos por parte dos EUA ou do Irã há semanas, mas um porta-voz da Guarda Revolucionária do Irã prometeu golpes pesados contra os interesses dos EUA e pontos-chave do setor energético caso a infraestrutura do Irã seja ameaçada.
Os preços do petróleo caíram pelo segundo dia consecutivo, à medida que os operadores ignoraram o impacto das sanções, embora os participantes do mercado continuassem cautelosos quanto à capacidade contínua do Irã de interromper o transporte marítimo.
Petroleiro atingido perto do estreito de Ormuz
Um petroleiro foi atingido nesta terça-feira por um projétil não identificado e ficou inoperante a cerca de 17 km a nordeste de Ash Shishah, em Omã, local que fica na entrada do Estreito de Ormuz, informou a Agência de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido.
Irã e Estados Unidos assinaram um acordo provisório em junho com o objetivo de pôr fim à guerra que começou com ataques dos EUA e de Israel ao Irã em fevereiro, mas o acordo rapidamente fracassou e o Irã retomou os ataques, que bloquearam a maior parte das exportações de energia do Golfo.
O Paquistão, atuando como mediador, fez “progressos significativos” nas negociações mais recentes com Teerã, as quais se concentraram em evitar uma nova escalada e na reabertura do Estreito de Ormuz, informaram as Forças Armadas paquistanesas.
Abbas Golroo, chefe da Comissão de Relações Exteriores do Parlamento iraniano, disse que o chefe do Exército do Paquistão, Asim Munir, entregou uma mensagem dos EUA ao Irã na segunda-feira.
“Ao que parece, o objetivo principal era retomar o processo político paralisado”, declarou ele à agência de notícias Isna. Não houve comentário imediato da Casa Branca ou do Departamento de Estado.
O Irã manifestou disposição geral para retomar as negociações de paz durante reuniões entre autoridades iranianas e paquistanesas na segunda-feira, ao mesmo tempo em que expressou preocupação com as sanções, informou uma fonte do governo paquistanês.
“O Paquistão informou a eles que os EUA reverterão essas decisões antes ou durante uma nova rodada de negociações”, disse a autoridade.
EUA começam a enviar pessoal de volta às missões diplomáticas
Os EUA estão começando a enviar pessoal de volta a algumas missões diplomáticas no Oriente Médio que foram esvaziadas ou tiveram seu efetivo reduzido em meio às tensões com o Irã, disseram duas pessoas a par do assunto à Reuters.
A medida sugere que Washington vê um risco menor de o conflito com o Irã se agravar no curto prazo, embora algumas embaixadas operem inicialmente abaixo da capacidade total.
A aprovação pública dos EUA em relação à guerra caiu para o nível mais baixo desde os primeiros dias do conflito, com a popularidade de Trump em seu nível mais baixo antes das eleições para o Congresso em novembro, segundo mostrou uma pesquisa Reuters/Ipsos encerrada na segunda-feira.
Milhares de pessoas morreram no conflito, a maioria delas no Irã e no Líbano, enquanto grande parte da capacidade militar convencional do Irã foi enfraquecida.
O estado exato de seu programa nuclear, que os EUA e Israel pretendem eliminar, permanece desconhecido.
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