Islamitas convocam mais protestos após banho de sangue no Egito
Massacre de quarta-feira (14) deixou mais de 500 mortos
Internacional|Do R7

Os islamitas convocaram nesta quinta-feira (15) novas manifestações no Egito em apoio ao presidente deposto Mohamed Mursi, desafiando abertamente as autoridades, que os desalojaram na véspera e provocaram um banho de sangue sem precedentes, com mais de 500 mortos.
No início das primeiras manifestações, partidários de Mursi atacaram nesta quinta-feira duas delegacias em duas Províncias do país e mataram dois policiais, segundo fontes oficiais.
Manifestantes islamitas também incendiaram nesta quinta-feira a sede administrativa do governo de Gizé, no Cairo, anunciou a rede de televisão estatal egípcia.
Sede do governo é incendiada no Cairo
Em Alexandria, centenas de partidários de Mursi protestavam na estrada localizada junto ao mar.
Na Província de Beni Suef, os partidários de Mursi protestaram contra a repressão de quarta-feira.
Depois dos sangrentos confrontos de quarta-feira foi decretado um toque de recolher noturno na metade do país e um estado de emergência em todo o Egito durante um mês.
A convocação de protestos feita pela Irmandade Muçulmana, confraria da qual Mohamed Mursi procede, levanta os temores de uma nova onda de violência.
As autoridades interinas, instaladas pelo Exército após a destituição do presidente islamita, no dia 3 de julho, advertiram que não tolerarão mais protestos.
O governo afirma que controla as duas praças ocupadas no Cairo pelos pró-Mursi — Rabaa al-Adawiya e Nahda —, e que foram violentamente atacadas pela polícia desde a madrugada de quarta-feira, surpreendendo os milhares de manifestantes que acampavam no local com mulheres e crianças.
A mesquita Iman, localizada na praça Rabaa al-Adawiyaa, epicentro da manifestação e quartel-general dos dirigentes da Irmandade Muçulmana ainda não detidos pelas autoridades, foi incendiada, constatou nesta quinta-feira um fotógrafo da AFP.
A marcha convocada pela Irmandade Muçulmana deve sair da mesquita na tarde desta quinta-feira.
Uma coluna de fumaça ainda se elevava, um dia após os violentos confrontos, do grande acampamento reduzido agora a cinzas.
Uma centena de cadáveres envolvidos em sudários brancos estava alinhada no chão, enquanto os voluntários tentavam identificar as vítimas.
Dezenas de pessoas, com o rosto coberto para se proteger do cheiro, chegavam para identificar seus familiares. Entre elas, uma mulher que soltou um grito de horror ao encarar um corpo carbonizado sob o sudário.
Indignação internacional
A intervenção das forças de segurança e do Exército provocou a indignação internacional e uma condenação majoritária do massacre e do lamentável recurso à força.
O último balanço oficial é de 525 mortos — 482 civis e 43 policiais — e mais de 3.500 feridos em todo o país, mas pode ser ainda maior. A Irmandade Muçulmana fala de 2.200 mortos e mais de 10 mil feridos.
Segundo o chefe do serviço de urgência egípcio, 202 pessoas morreram na quarta-feira apenas na praça Rabaa al-Adawiyia, principal local ocupado pelos manifestantes.
Várias figuras emblemáticas egípcias se desvincularam da sangrenta operação das forças de segurança.
O vice-presidente Mohamed ElBaradei, prêmio Nobel da Paz e que havia aprovado o golpe militar contra Mursi, renunciou afirmando que rejeita "assumir decisões com as quais não estava de acordo".
O Imã de Al-Azhar, a maior autoridade do islã sunita, também condenou a violência e explicou que ignorava os métodos que as forças de segurança utilizavam.
A imprensa egípcia, em sua maioria próxima ao Exército, saudava nesta quinta-feira "O fim do pesadelo da Irmandade Muçulmana", segundo o jornal pró-governamental Al-Akhbar, enquanto o jornal independente Al-Shuruq se referia à "última batalha da Irmandade", ao lado de fotos que mostravam manifestantes armados.
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