Islândia devolve poder a partidos que causaram crise e se afasta da UE
Internacional|Do R7
Anxo Lamela. Copenhague, 28 abr (EFE).- A Islândia recolocou no poder a centro-direita, que com suas políticas precipitou o colapso econômico do país em outubro de 2008 e previsivelmente impedirão agora o processo de adesão à União Europeia (UE). A oposição obteve uma ampla vitória nas eleições legislativas de ontem, com 51,1% dos votos e 38 das 63 cadeiras no Althingi (Parlamento), apurados quase 98% dos votos. A coalizão de esquerda que governava desde 2009 perdeu a metade de seus apoios, e a Aliança Social-Democrata passou de força mais votada ao terceiro posto. Esse lugar corresponde agora ao conservador Partido da Independência, tradicional dominador da política islandesa, que arrancou nas últimas semanas para conseguir 26,7%, três pontos percentuais a mais, e 19 cadeiras. Com o mesmo número de assentos, mas dois pontos percentuais a menos, ficou o Partido Progressista, seu histórico aliado, com 10% e mais de dez deputados do que em 2009. Ambos os partidos se viram favorecidos pelo descontentamento dos islandeses com o governo, que apesar de estabilizar as finanças, pagou os efeitos sociais do duro programa de ajuste imposto pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para resgatar o país. O governo dirigido pela primeira-ministra social-democrata Jóhanna Sigurdardóttir não foi capaz de levar adiante nenhuma de suas grandes promessas, como a reforma da política de cotas de pesca ou a nova Constituição impulsionada por uma iniciativa popular. A postura do governo no litígio pelas indenizações a poupadores estrangeiros após a quebra do banco Icesave e suas disputas internas também não ajudaram a aumentar sua popularidade. A centro-direita se aproveitou então dessa decepção e das promessas para aliviar a difícil situação econômica na qual ainda se encontram muitos islandeses, sobretudo pelo alto endividamento hipotecário. Nem mesmo mudando seus impopulares líderes a esquerda conseguiu reverter o que as pesquisas apontavam há muitos meses. Os social-democratas perderam quase 17 pontos e 11 cadeiras, caindo para 12,9% dos votos e 9 deputados. Pouco menos acusado foi o revés de seu aliado de coalizão, o Movimento de Esquerda Verde, que obteve 10,9% (havia obtido 21,7% em 2009) e 7 assentos no Parlamento. O centrista Futuro Brilhante entrou no Parlamento com 8,2% e 6 cadeiras, enquanto o Partido Pirata lutava para chegar ao Althingi: a apuração parcial lhe dava 5,1%, um décimo acima do mínimo, e 3 deputados. "O Partido da Independência foi chamado de novo ao dever", disse o líder da legenda, Bjarni Benediktsson, cujo antecessor à frente dos conservadores, o ex-primeiro-ministro Geir Haarde, foi absolvido há um ano de uma acusação por atuação negligente antes e durante o colapso de 2008. Benediktsson, que será previsivelmente o próximo chefe de Governo, falou de novos investimentos, criação de empregos e de crescimento econômico, embora espera-se que o novo gabinete seja mais moderado em sua política liberal que seus antecessores nas décadas anteriores. O triunfo da oposição afastará quase com certeza a Islândia da UE, já que tanto os conservadores como seus aliados defenderam em campanha o fim das negociações e a retirada da solicitação de entrada aprovada pelo Parlamento em 2009. Os conflitos com Bruxelas pelo caso Icesave e a crise do euro multiplicaram o "euroceticismo" dos islandeses: quase dois terços da população se opõe à entrada à UE. Quando chegou ao poder, Jóhanna Sigurdardóttir falava de uma entrada "expressa" da Islândia, mas quase quatro anos depois teve que suspender as conversas por pressões de seu aliado de coalizão e sem que tivessem começado as negociações dos capítulos principais, a pesca e a agricultura. EFE alc/id










