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ONU diz que trégua no Oriente Médio não é cessar-fogo: ‘Crise mais profunda’

Estreito de Ormuz está fechado devido a tensões entre EUA e Irã, impactando o transporte global de petróleo

Internacional|Do Estadão Conteúdo

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • António Guterres, secretário-geral da ONU, declarou que a trégua no Oriente Médio é um "fogo de menor intensidade" e não um cessar-fogo.
  • Guterres alertou sobre o risco de a situação se transformar em um conflito de grande escala e pediu um acordo diplomático.
  • O Estreito de Ormuz foi fechado pela PGSA devido a tensões provocadas por ataques dos EUA ao Irã, enquanto os EUA negam o bloqueio.
  • No Líbano, Guterres destacou a escalada do conflito entre Israel e Hezbollah, defendendo um cessar-fogo e negociações diplomáticas.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, também pediu um cessar-fogo abrangente no Líbano Eduardo Munoz/Reuters - 27.04.2026

O secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), António Guterres, afirmou, nesta quinta-feira (11), que a trégua no conflito no Oriente Médio não é um cessar-fogo, mas, sim, um “fogo de menor intensidade”.

“O Oriente Médio está sendo arrastado para uma crise mais profunda, e as consequências vão muito além da região”, escreveu Guterres em publicação no X.


“Esta semana trouxe ataques mais amplos e uma nova deterioração, em que o cessar-fogo se assemelha mais a um fogo de menor intensidade”, acrescentou.

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“Não devemos minimizar o risco de esse fogo de menor intensidade se transformar em um conflito em grande escala.”


O líder da ONU também disse que todos os envolvidos no conflito devem trabalhar em direção a um acordo diplomático. “Chega de ataques. Chega de desculpas”, afirmou Guterres.

A declaração foi feita horas antes de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que o país atacará o Irã “com muita força” na noite desta quinta-feira.


“Em algum momento, em um futuro não muito distante, tomaremos a Ilha de Kharg e outros pontos de infraestrutura petrolífera, assumindo o controle total de seus mercados de petróleo e gás, assim como fizemos com a Venezuela, o que está funcionando brilhantemente tanto para a Venezuela quanto para os EUA”, escreveu Trump em publicação na Truth Social.

Estreito de Ormuz

Guterres também comentou a situação no estreito de Ormuz. Para ele, as “restrições aos direitos e liberdades de navegação dentro e ao redor” da via marítima causam “dificuldades e instabilidade em todo o mundo”.


“Mesmo no melhor cenário possível, esses choques serão sentidos por muitos meses — com os países em desenvolvimento arcando com os impactos mais pesados”, afirmou o secretário-geral.

“O mundo precisa de um cessar-fogo completo, com os direitos e liberdades de navegação restabelecidos, em conformidade com o direito internacional”, acrescentou.

Mais cedo, a PGSA (Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico) confirmou o fechamento de Ormuz após os mais recentes ataques dos EUA contra o Irã.

A agência foi criada por Teerã no mês passado para administrar e regulamentar o tráfego marítimo no estreito.

“Em razão das tensões provocadas pelas forças agressoras dos EUA na região e do comunicado emitido pelas Forças Armadas do Irã na noite passada, o estreito de Ormuz permanecerá fechado até novo aviso”, afirmou a PGSA em publicação no X.

“Solicitamos aos requerentes que já receberam autorização de passagem que sejam pacientes e aguardem as próximas orientações da PGSA.”

A nova interrupção do tráfego em uma das vias marítimas mais importantes para o transporte de combustíveis já havia sido anunciada na quarta-feira (10), pelo IRGC (Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica) e pelo Quartel-General Central Khatam al-Anbia, que coordena as operações do Estado-Maior.

Segundo a agência estatal iraniana Tasnim, a ordem foi emitida após o segundo dia consecutivo de ataques de Washington contra Teerã. A retomada das ofensivas ocorreu após um helicóptero americano ter sido derrubado por um drone iraniano na segunda-feira (8).

O Comando Central dos EUA, no entanto, negou que o estreito estivesse bloqueado. “Navios comerciais continuam a transitar para dentro e para fora do estreito de Ormuz nesta noite”, escreveu.

Horas antes, Trump afirmou que, no mês passado, os EUA conduziram uma missão secreta para apoiar petroleiros e outros navios comerciais na travessia de Ormuz.

“Hoje, tenho o prazer de anunciar que esse esforço resultou na passagem de mais de 100 milhões de barris de petróleo pelo estreito, chegando ao mercado aberto. Mais de 200 navios comerciais atravessaram o estreito com segurança”, escreveu Trump em publicação na Truth Social.

“Esse enorme sucesso se deve ao fato de que os EUA controlam o estreito de Ormuz — e não o Irã. Suas forças armadas foram derrotadas e sua economia está perdida. Acabou para o Irã”, acrescentou.

Líbano

Guterres comentou ainda a situação no Líbano, palco do conflito entre Israel e o grupo terrorista Hezbollah.

Ele afirmou que houve uma escalada grave no conflito desde março, à medida que Israel intensificou suas operações em território libanês e os terroristas do Hezbollah aumentaram os ataques contra Israel.

“Todas as partes devem trabalhar em direção a uma solução diplomática que respeite plenamente a integridade territorial, a soberania e a independência política do Líbano”, escreveu Guterres.

Ele também disse apoiar o “monopólio das armas” pelo governo libanês.

“O processo deve começar com um cessar-fogo abrangente, respeitado por todas as partes em todos os lugares, aliviando o sofrimento das comunidades em ambos os lados da Linha Azul”, disse, em referência à linha de demarcação estabelecida pela ONU entre Israel e o Líbano.

“Espero que novas negociações contribuam para uma paz e estabilidade duradouras”, concluiu o líder da ONU.

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