ONU diz que trégua no Oriente Médio não é cessar-fogo: ‘Crise mais profunda’
Estreito de Ormuz está fechado devido a tensões entre EUA e Irã, impactando o transporte global de petróleo
Internacional|Do Estadão Conteúdo
LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA
Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7
O secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), António Guterres, afirmou, nesta quinta-feira (11), que a trégua no conflito no Oriente Médio não é um cessar-fogo, mas, sim, um “fogo de menor intensidade”.
“O Oriente Médio está sendo arrastado para uma crise mais profunda, e as consequências vão muito além da região”, escreveu Guterres em publicação no X.
“Esta semana trouxe ataques mais amplos e uma nova deterioração, em que o cessar-fogo se assemelha mais a um fogo de menor intensidade”, acrescentou.
Veja Também
“Não devemos minimizar o risco de esse fogo de menor intensidade se transformar em um conflito em grande escala.”
O líder da ONU também disse que todos os envolvidos no conflito devem trabalhar em direção a um acordo diplomático. “Chega de ataques. Chega de desculpas”, afirmou Guterres.
A declaração foi feita horas antes de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que o país atacará o Irã “com muita força” na noite desta quinta-feira.
“Em algum momento, em um futuro não muito distante, tomaremos a Ilha de Kharg e outros pontos de infraestrutura petrolífera, assumindo o controle total de seus mercados de petróleo e gás, assim como fizemos com a Venezuela, o que está funcionando brilhantemente tanto para a Venezuela quanto para os EUA”, escreveu Trump em publicação na Truth Social.
Estreito de Ormuz
Guterres também comentou a situação no estreito de Ormuz. Para ele, as “restrições aos direitos e liberdades de navegação dentro e ao redor” da via marítima causam “dificuldades e instabilidade em todo o mundo”.
“Mesmo no melhor cenário possível, esses choques serão sentidos por muitos meses — com os países em desenvolvimento arcando com os impactos mais pesados”, afirmou o secretário-geral.
“O mundo precisa de um cessar-fogo completo, com os direitos e liberdades de navegação restabelecidos, em conformidade com o direito internacional”, acrescentou.
Mais cedo, a PGSA (Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico) confirmou o fechamento de Ormuz após os mais recentes ataques dos EUA contra o Irã.
A agência foi criada por Teerã no mês passado para administrar e regulamentar o tráfego marítimo no estreito.
“Em razão das tensões provocadas pelas forças agressoras dos EUA na região e do comunicado emitido pelas Forças Armadas do Irã na noite passada, o estreito de Ormuz permanecerá fechado até novo aviso”, afirmou a PGSA em publicação no X.
“Solicitamos aos requerentes que já receberam autorização de passagem que sejam pacientes e aguardem as próximas orientações da PGSA.”
A nova interrupção do tráfego em uma das vias marítimas mais importantes para o transporte de combustíveis já havia sido anunciada na quarta-feira (10), pelo IRGC (Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica) e pelo Quartel-General Central Khatam al-Anbia, que coordena as operações do Estado-Maior.
Segundo a agência estatal iraniana Tasnim, a ordem foi emitida após o segundo dia consecutivo de ataques de Washington contra Teerã. A retomada das ofensivas ocorreu após um helicóptero americano ter sido derrubado por um drone iraniano na segunda-feira (8).
O Comando Central dos EUA, no entanto, negou que o estreito estivesse bloqueado. “Navios comerciais continuam a transitar para dentro e para fora do estreito de Ormuz nesta noite”, escreveu.
Horas antes, Trump afirmou que, no mês passado, os EUA conduziram uma missão secreta para apoiar petroleiros e outros navios comerciais na travessia de Ormuz.
“Hoje, tenho o prazer de anunciar que esse esforço resultou na passagem de mais de 100 milhões de barris de petróleo pelo estreito, chegando ao mercado aberto. Mais de 200 navios comerciais atravessaram o estreito com segurança”, escreveu Trump em publicação na Truth Social.
“Esse enorme sucesso se deve ao fato de que os EUA controlam o estreito de Ormuz — e não o Irã. Suas forças armadas foram derrotadas e sua economia está perdida. Acabou para o Irã”, acrescentou.
Líbano
Guterres comentou ainda a situação no Líbano, palco do conflito entre Israel e o grupo terrorista Hezbollah.
Ele afirmou que houve uma escalada grave no conflito desde março, à medida que Israel intensificou suas operações em território libanês e os terroristas do Hezbollah aumentaram os ataques contra Israel.
“Todas as partes devem trabalhar em direção a uma solução diplomática que respeite plenamente a integridade territorial, a soberania e a independência política do Líbano”, escreveu Guterres.
Ele também disse apoiar o “monopólio das armas” pelo governo libanês.
“O processo deve começar com um cessar-fogo abrangente, respeitado por todas as partes em todos os lugares, aliviando o sofrimento das comunidades em ambos os lados da Linha Azul”, disse, em referência à linha de demarcação estabelecida pela ONU entre Israel e o Líbano.
“Espero que novas negociações contribuam para uma paz e estabilidade duradouras”, concluiu o líder da ONU.
Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da RECORD, no WhatsApp













