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Japão diz que governo tomará as rédeas da crise de Fukushima

Jogar água contaminada no mar é uma possibilidade cogitada para resolver vazamentos

Internacional|Do R7

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A usina nuclear de Fukushima sofreu um forte dano em sua estrutura devido a um terremoto seguido por um tsunami em 2011
A usina nuclear de Fukushima sofreu um forte dano em sua estrutura devido a um terremoto seguido por um tsunami em 2011

O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, disse nesta segunda-feira (2) que seu governo assumirá o comando na gestão da crise de Fukushima e não deixará que a operadora da usina nuclear resolva sozinha o problema dos vazamentos.

Abe explicou que o Executivo "tomará as rédeas e iniciará todas as medidas necessárias" para combater os últimos vazamentos de água radioativa ao mar detectados recentemente na central.


O primeiro-ministro conservador explicou durante reunião com seus sócios de governo, o Partido Novo Komeito, que agora se trata de iniciar medidas contundentes e não de solucionar o problema de maneira improvisada, segundo informou emissora pública NHK.

O ministro porta-voz do governo, Yoshihide Suga, antecipou que será anunciada na terça-feira (3) uma série de medidas de emergência para combater a grande quantidade de água radioativa acumulada na central de Fukushima, que ficou gravemente afetada por um tsunami em março de 2011.


— O governo se manteve em segundo plano simplesmente oferecendo nosso apoio a Tecpo (operadora da usina). Agora decidimos que a resposta com base em remendos chegou ao seu limite e o governo necessita responder com rapidez.

O mistério dos vazamentos de água radioativa em depósitos de Fukushima


Durante este verão no país, a Tecpo admitiu que o acúmulo de água contaminada nos porões das instalações dos reatores provocam vazamentos de 300 toneladas diárias ao mar. Além disso, no mês passado ocorreu um vazamento de água altamente contaminada localizada em um dos tanques onde se armazena o líquido usado para resfriar os reatores.

Neste fim de semana, a operadora revelou que detectou altos níveis de radiação em três tanques de armazenamento de água contaminada e em um dos encanamentos que os conectam, o que poderia significar novos vazamentos e que a crise não foi controlada.


Água contaminada poderá ser jogada no mar

O presidente da Autoridade de Regulação Nuclear do Japão (NRA), Shunichi Tanaka, insistiu nesta segunda-feira que jogar a água da usina nuclear de Fukushima, com baixos índices de radioatividade, no mar é uma possibilidade que se cogita para resolver o problema dos vazamentos.

— Sei que suscitei polêmica quando falei sobre isso anteriormente. No entanto, quero deixar claro que não vou tolerar o despejo de água no Pacífico com níveis acima dos determinados pela lei.

A lei japonesa estabelece que uma instalação nuclear pode despejar líquido radioativo no mar, desde que este contenha menos de 90 becquerels de material contaminante por litro. Tanaka explicou que as principais prioridades para conter os vazamentos de água radioativa na usina são que o operador transfira a água contaminada armazenada para "tanques mais seguros" e que se instale, "o quanto antes", o Sistema Avançado de Processamento de Líquidos (ALPS, sigla em inglês), desenvolvido pela Toshiba.

Operadora de Fukushima admite que precisa de ajuda estrangeira para administrar crise nuclear

O ALPS pode subtrair 62 tipos de substâncias radioativas, mas não o trítio. Já que se pretende limitar a quantidade de líquido utilizado para refrigerar os reatores para assim diminuir o volume de vazamentos, a ideia da Tepco, proprietária da central, e das autoridades japonesas é a evaporação ou o despejo dessa água no mar, ao invés de reutilizá-la nas unidades como antes.

O presidente da NRA também acrescentou que o ideal seria implementar outro sistema adicional para reduzir o nível de trítio, se a água for despejada no oceano ou não.

Tanaka pediu a Tepco "que transfira a água das cisternas problemáticas o mais rápido possível e que revise todas as ligações, válvulas, etc.". Os quatro tanques fazem parte de uma série de 350 cisternas fabricadas após o início da crise nuclear de forma mais rápida e econômica, já que se utilizou resina para unir suas partes ao invés de soldá-las.

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