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Jornalista lembra honestidade de médico que revelou doença de Chávez

Internacional|Do R7

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México, 13 mar (EFE).- O jornalista salvadorenho Víctor Flores García lembrou nesta quarta-feira "a precisão do diagnóstico" e a "honestidade" que o médico venezuelano Salvador Navarrete mostrou ao contar em outubro de 2011 que Hugo Chávez sofria de uma doença "incurável" e que restavam cerca de dois anos de vida. "A mim parece que, jornalisticamente, à parte da certeza do diagnóstico, é muito pertinente lembrar que o doutor Navarrete é um homem honesto que assumiu uma responsabilidade em um momento delicado para a Venezuela e por isso pagou com consequências pessoais para ele e sua família", disse à Agência Efe Flores García. Os fatos remontam a outubro de 2011, quando Flores publicou na revista mexicana "Milenio Semanal" uma entrevista que fez pela internet com um cirurgião que tinha tratado Chávez e na qual este lhe revelou que o líder tinha um "tumor na pélvis" que era "muito agressivo". Por isso antecipava que a "expectativa de vida" podia ser "de até dois anos", prazo que mais tarde se cumpriu com a morte de Chávez neste mês. O médico, que fez parte de uma equipe médica que cuidou do líder até 2002, lhe contou a Flores que Chávez apresentava "um sarcoma" nessa zona de seu corpo que tinha "muito mal previsão". Flores confessa hoje que nunca se imaginou então que anos depois a saúde de Chávez "seria um tema central na vida da Venezuela". "O ponto essencial é que Salvador Navarrete anunciou que se tratava de uma doença incurável", indicou. A revelação da doença pegou Chávez de surpresa em Cuba e foi então desmentida pelo próprio governante venezuelano publicamente. No entanto, a partir de então Navarrete começou a ser assediado pelo Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin) e finalmente abandonou Venezuela com rumo desconhecido, lembrou Flores. O jornalista, que trabalhou 12 anos na agência francesa "AFP" e foi chefe de redação dessa empresa em Caracas de 2006 a 2008, explicou que conseguiu a entrevista com o médico pela confiança mútua que ambos tinham após os anos que passou na capital venezuelana. O médico, filho e neto de comunistas e "militante moderado do chavismo" mas que o próprio Chávez chegou a chamar de "mentiroso", "está na Espanha", apontou Flores, que acrescentou que desde que precisou sair do país não voltou a ter contato com ele. Na sua opinião, Navarrete é "uma vítima da polarização" vivida na Venezuela, "um perseguido político no expatrio". "Trata-se de um homem honesto, com uma carreira irretocável, que quis fazer um bem ao país", mas que "está sofrendo injustamente por ter assumido uma enorme responsabilidade da qual ele era consciente", acrescentou. Os detalhes das circunstâncias que envolveram a entrevista aparecerão em um livro que Flores García publicará em cerca de dois meses com o título "El privilegio de presenciar. La era de Hugo Chávez" ("O privilégio de presenciar. A era de Hugo Chávez"). O jornalista confessou que o fato de Navarrete ter sido "agredido" e "perseguido", e que mais tarde precisasse se "exilar" o "perturbou muito". Assim, a revista "Milenio" lamentou que o médico tivesse sido "brevemente preso" pela inteligência venezuelana e "submetido a qualquer tipo de pressão e ameaças a fim de obrigá-lo a se retratar do publicado". Estabelecido em Puebla, centro do México, Flores García atualmente trabalha para vários veículos de imprensa, entre os quais estão a "Milenio Dominical", a revista "Contrapunto" e "El Faro de San Salvador". EFE act/tr

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