Julgamento de Oscar Pistorius é marcado para março de 2014
Internacional|Do R7
Desirée García Nairóbi, 19 ago (EFE).- O atleta sul-africano Oscar Pistorius rezou e chorou nesta segunda-feira perante o tribunal de Pretória, que marcou a data do julgamento por conta do assassinato de sua namorada, a modelo Reeva Steenkamp, para o dia 3 de março de 2014. No mesmo dia em que sua namorada completaria 30 anos, o esportista, primeiro corredor com as pernas amputadas a participar dos Jogos Olímpicos, foi informado em audiência que poderá ser condenado a prisão perpétua caso for considerado culpado. Se Pistorius, de 26 anos, for condenado, ele terá como sentença mínima 25 anos de prisão na África do Sul. O atleta, que assegurou perante o Tribunal da Magistratura de Pretória que desconhecia as acusações que a Promotoria fez contra ele, rezou em companhia de seus irmãos Carl e Aimee até minutos antes de conhecer a acusação formal de assassinato. Logo na entrada no Tribunal, Pistorius, vestido com um traje escuro e sóbrio, encontrou sua irmã aos prantos. O atleta estendeu a mão e, junto aos dois irmãos, iniciou uma oração silenciosa, dando as costas aos fotógrafos, momentos antes do início da sessão. Pistorius estava bem, "dadas as circunstâncias", segundo o próprio atleta disse ao magistrado Desmond Nair. Ao saber que poderia enfrentar uma longa condenação, o velocista chorou e ficou cabisbaixo perante o tribunal, onde estavam presentes parentes da melhor amiga de sua namorada, os Myers. Membros desta família foram convocados para prestar esclarecimentos no julgamento, que será realizado até 20 de março, junto com mais de cem testemunhas convocadas pela Promotoria. Médicos, especialistas em balística e legista, também figuram na lista das 107 pessoas que deverão testemunhar perante o Tribunal Superior de Pretória, para onde a causa foi transferida após a audiência de hoje. O julgamento começará semanas depois do primeiro aniversário da morte da modelo, no dia 14 de fevereiro, quando o corpo de Reeva, de 29 anos, foi achado sem vida com vários disparos na casa do atleta em Pretória. O corredor confessou que disparou em sua namorada após confundí-la com um ladrão. "Disparei um tiro - argumentou o velocista - e gritei para que Reeva chamasse a polícia, mas ao retornar ao quarto ela não estava ali". O documento apresentado pela Promotoria hoje no tribunal mantém, no entanto, que Pistorius matou a namorada de forma premeditada, e além disso, soma-se o delito de posse ilegal de armas. O sul-africano seguirá em liberdade provisória até o julgamento, condição que foi concedida oito dias depois do fato perante a inconsistência das provas apresentadas pela Promotoria. Ao final da audiência, que não durou mais de 15 minutos, Pistorius foi abraçado por sua família e juntos foram escoltados por 20 agentes. Os policiais isolaram o acusado do enxame de jornalistas que tentaram chegar a ele na porta do tribunal, onde esperavam desde a primeira hora da manhã. Também no exterior do tribunal, um ativista em defesa dos direitos dos presos sul-africanos, Golden Miles Bhudu, oferecia "conselhos de graça" ao esportista, encadeado e vestido com um uniforme laranja de presidiário. "Oscar Pistorius, não necessita de assessor e nem dos melhores advogados na terra. A única coisa que precisa é da verdade. A verdade nos deixará livres", dizia um cartaz. EFE dgp/ff












