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Justiça britânica limita análise de informações apreendidas de brasileiro

Internacional|Do R7

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Guillermo Ximenis Londres, 22 ago (EFE).- O Tribunal Superior de Londres ditou nesta quinta-feira uma ordem que impede por uma semana que as autoridades "inspecionem, copiem ou compartilhem" as informações apreendidas em Heathrow do brasileiro David Miranda, mas que permite examiná-las para "proteger a segurança nacional". Os advogados de Miranda, namorado do jornalista que divulgou os documentos secretos do ex-espião Edward Snowden, tratam de recuperar nos tribunais o computador e o telefone celular do brasileiro, que segundo eles contêm documentos e fontes jornalísticas que é preciso proteger. Por enquanto, no entanto, só conseguiram uma ordem provisória que limita o acesso a essas informações por parte das autoridades até 30 de agosto, quando será realizada uma audiência definitiva sobre o caso. Apesar do Tribunal ter aceitado em parte o pedido de Miranda para preservar os dados armazenados em seus discos rígidos e cartões de memória, também foi sensível aos argumentos da polícia e Do Ministério do Interior, que sublinharam que o jovem não é jornalista e possuI documentos secretos roubados. "Agora, eles têm sete dias para demonstrar que existe uma ameaça real à segurança nacional" afirmou Gwendolen Morgan, representante legal de Miranda, após conhecer a sentença provisória dos juízes. O advogado das autoridades britânicas afirmou por sua vez que a ministra de Interior, Theresa May, "não compartilha que estamos diante de material jornalístico" e considera que Miranda "não é jornalista". A polícia, que já tinha começado a inspecionar a informação, expropriou o computador e outros dispositivos do namorado do redator do jornal britânico "The Guardian" Glenn Greenwald, no dia 18, no aeroporto londrino de Heathrow, onde ficou retido durante nova horas sob amparo da lei antiterrorista britânica. O advogado a polícia de Londres Jonathan Laidlaw disse durante uma audiência que as "dezenas de milhares" de páginas armazenadas nos dispositivos de Miranda contêm "material altamente sensível cuja divulgação suporia um grave prejuízo para a segurança pública". Laidlaw disse, além disso, que o grupo especializado em terrorismo da polícia britânica já iniciou uma investigação sobre o material, apesar de assegurar que não está "preparado para informar à defesa" sobre o avanço da investigação. O advogado disse que os documentos ainda não foram completamente examinados e que seria uma "situação penosa" se os juízes ordenassem suspendê-lo "levando em conta os resultados alcançados até agora". Quando foi detido em Londres, Miranda fazia escala desde Berlim, onde tinha recolhido arquivos entregues pela documentarista americana Laura Poitras, que facilitou, junto a Greenwald, a publicação de documentos secretos de Snowden relacionados com a espionagem através de internet da Agência de Segurança Nacional americano (NSA). Os advogados de Miranda, de 28 anos, explicaram hoje no tribunal que a polícia "ameaçou" o jovem com detenção se não respondesse o interrogatório e descreveu a experiência do brasileiro em Heathrow como "aterrorizante, estressante e intimidadora". Miranda foi obrigado a revelar as contra-senhas para acessar seus dispositivos, segundo relataram seus advogados, que sublinharam que só contou com a assistência de um letrado durante a última das nove horas nas quais permaneceu detido sem que pesasse sobre ele alguma acusação. Os agentes que o interrogaram negaram uma caneta para que Miranda escrevesse as perguntas formuladas com a assistência de um tradutor, porque o inglês não é a primeira língua de Miranda, segundo seus advogados. Para a defesa do jovem, as autoridades se excederam ao retê-lo, dado que a seção da lei sob a qual seu interrogatório foi amparado deve ser aplicada àquelas pessoas que "estão ou estiveram involucradas na comissão, preparação ou instigação de um ato de terrorismo". EFE gx/ff

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